Se romper, é overdose na certa
A médica psiquiatra Ivete Contiere Ferraz aponta o descontrole emocional causado pela droga como um fator determinante para uma pessoa se tornar mula. Quando o usuário perde o poder de compra, começa a trabalhar para o tráfico para bancar o consumo, diz. É uma atividade que, além de ilegal, pode trazer sequelas irreversíveis à saúde, quando não a morte, alerta.
O papelote tem em média 1 cm por 1,5 cm e a droga é enrolada com papéis alumínio e celofane e filme plástico (aquele usado em congelados). As consequências para a saúde iniciam no esôfago. O atrito das cápsulas ao engolir pode provocar irritações e úlceras no local. Relatos médicos indicam que o transportador chega a ficar uma hora engolindo as cápsulas, conforme a quantidade, e fazem jejum de 12 horas para evitar a produção de ácidos digestivos, conta Ivete.
No estômago, a ação do ácido gástrico facilita a ruptura do papelote. Ingerir papelote é querer morrer. Se romper, é morte na certa por overdose. A droga é absorvida pelo corpo rapidamente, sentencia. O mesmo acontece ao introduzir cápsulas na região anal. A vascularização do ânus leva a substância direto para o fígado, diz. Dependendo da quantidade, se ela for muito pequena, a mula leva de brinde no pacote de agressões ao organismo uma intoxicação, um possível infarto ou um acidente vascular cerebral (AVC). Neste caso, pode até não morrer, mas terá consequências para o resto da vida, prevê a médica.
Quando transportada na vagina, a droga representa o mesmo tipo de perigo. No contato com a cocaína, a região sofre irritações da mucosa, fístulas, surgem corrimento e úlceras. A droga também facilita o desenvolvimento de câncer do cólo do útero. Uma coisa é indiscutível: a saúde está em perigo em qualquer modalidade de transporte, conclui a médica. (C.P.)





