Prestes a completar 25 anos trabalhando no IML de Londrina, Sueli Regina de Almeida e Silva afirma que passou a dar mais valor à vida depois que iniciou o trabalho como auxiliar de perícia. ''Acho que me tornei uma pessoa melhor com o passar dos anos. Tem que estar preparada porque aqui não tem coisa boa, além disso ninguém precisa te contar como aconteceram as coisas, a gente vê como foi'', descreveu.
Sueli afirma que não considera o IML um lugar difícil de se trabalhar. ''Não é qualquer um que consegue ficar, mas eu me sinto útil. Não é porque a gente trabalha aqui que não tem sensibilidade'', destacou. Segundo ela, além de lidar com os corpos, os profissionais precisam saber atender as famílias. ''Tem coisas que chocam a gente, às vezes eu perco até a vontade de comer porque eu me coloco no lugar daquela pessoa. A família sabe que quando chega aqui é porque é o fim e acabou'', disse.
O contato com as famílias e a realização de exames nos cadáveres são as partes mais difíceis do trabalho, conforme Sueli. ''Se o funcionário não estiver bem ele chora junto. Às vezes a gente é a primeira pessoa que a família vê depois que tem na certeza da morte e nós temos que ser fortes e dar o nosso melhor.''
De acordo com Sueli, a equipe do IML também precisa lidar com os curiosos que aparecem. ''Tem gente que entra aqui com medo e acha que vai encontrar um cadáver na recepção. As pessoas não têm noção do que é o IML e a curiosidade é muita. Tem gente que entra para reconhecer um corpo, fica tão descontrolado que erra o caminho de saída, por isso nós acompanhamos a pessoa'', descreveu. Conforme ela, o IML é um lugar que provoca sentimentos negativos. ''A morte já é uma palavra triste. É o desapego total, mas eu me sinto útil aqui''. (M.A.)

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