Se o aeroporto tiver a prioridade, Arco Norte demora menos
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sexta-feira, 19 de outubro de 2007
Widson Schwartz<BR>Especial para a Folha 
A execução do Arco Norte, proposta envolvendo diretamente cinco municípios no Norte Novo e com a perspectiva de influenciar outros, pode demorar 20 anos, pelo menos, ou ser antecipada num prazo menor, caso haja interesse imediato da iniciativa privada pela construção do aeroporto de cargas, acredita o prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT).
Mas, para começar a sair do papel, terá de ser incluído no Plano Plurianual 2008-2011 da União, para obter R$ 71,7 milhões a serem investidos na construção de 89 quilômetros de rodovias pavimentadas que vão integrar Arapongas, Cambé, Ibiporã, Londrina e Rolândia.
Com a contrapartida dos municípios e do Estado, os investimentos vão chegar a R$ 100 milhões, calcula Nedson Micheleti, que, mesmo em férias, iria a Brasília conversar novamente com o relator do Plano Plurianual (PPA), deputado Claúdio Vignatti (PT-SC), a quem já apresentara o projeto, num encontro em Florianópolis.
Exceto Ibiporã, as cidades ficarão eqüidistantes 16 quilômetros do aeroporto, em área já reservada ao sul de Londrina e que será o ponto de convergência das rodovias, das quais a ligação com a BR-369 no distrito de Aricanduva permitirá o acesso também de Apucarana.
O Arco Norte vai melhorar a mobilidade entre os municípios e criar quadrantes de desenvolvimento, em Londrina especificamente na região sul, para onde a cidade está avançando desde que atingiu o limite ao norte, conforme a exposição do prefeito Nedson Micheleti e do arquiteto João Batista Bortolotti, presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul).
Eles prevêem que a expansão em algumas áreas se dará principalmente com novos condomínios residenciais, uma continuidade do que já se vê na Gleba Palhano, e de mais indústrias nos espaços já reservados a elas.
A ocupação obedece a normas em comum que cada município fará constar nos respectivos planos diretores, significando que os próprios empreendedores também vão contribuir com infra-estrutura. A divulgação do projeto, segundo Nedson, permitirá aos proprietários planejar em relação às futuras mudanças, já sabendo que haverá uma valorização dos imóveis, sem que isso seja informação privilegiada de uns poucos.
Não apenas por inteiro, mas também fracionado o projeto é interessante. Uma parte que se faça, por exemplo a ligação Londrina-Cambé-Rolândia pela Estrada do Caramuru, já será muito importante, avalia Nedson, para quem o ideal seria a disponibilidade de uma parcela do dinheiro já em 2009.
Entretanto, a pavimentação de oito quilômetros da Estrada dos Pioneiros, de Ibiporã a Londrina, obra inicial no cronograma, não está incluída na verba federal, porque o governador Roberto Requião já avisou que o Estado irá fazê-la. Assim, pela ordem, as primeiras obras a serem custeadas pelo dinheiro federal serão a Estrada do Caramuru (15 km) e a da Cachoeirinha (17 km), esta ligando o aeroporto e Arapongas, atingindo a cidade em um ponto entre a rodoviária e os fundos do parque das indústrias de móveis.
A Rodovia Mábio Palhano terá 10 quilômetros duplicados entre Londrina e o sítio aeroportuário, nas cercanias de São Luiz. A integração de Cambé será feita também por um trecho saindo de Bratislava e a de Ibiporã via PR-445 em Londrina, que se convencionou chamar contorno-sul.
A rodovia mais extensa pode chegar a 60 quilômetros. Saindo da BR-369 em Aricanduva (entre Arapongas e Apucarana), passa por São Luiz e a Colônia Coroados, atinge a PR-445 e prossegue até PR-090 (Rodovia do Cerne) em Assaí. Esta ligação é a mais difícil, depende de obra estrutural, uma ponte no Rio Tibagi, em Maravilha. Não temos estudo, explicou Nedson referindo-se à ponte, já esperando que o governo estadual assuma a construção. Mas por enquanto não se aventa nenhum prazo para a conclusão e o projeto tem apenas uma parte no programa de custos.
A localização da ponte em Maravilha leva em conta a possibilidade da construção de pelo menos uma hidrelétrica, a do Cebolão, disse o presidente do Ippul, João Batista Bortolotti. Para Nedson, com uma represa, a região será valorizada em termos de turismo e lazer e a alternativa rodoviária, independente da BR-369 e sem pedágio, trará aquelas cidades, Assaí e São Jerônimo da Serra, para a região metropolitana de Londrina.


