Se necessário, vigilantes vão atirar e matar, diz Neco Garcia
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sexta-feira, 07 de março de 1997
Da Redação 
Além do inquérito policial, outra medida que a Sociedade Rural do Paraná (SRP) está tomando contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) é a montagem da chamada Vigilância Rural. Segundo o presidente da SRP, Manoel Neco Campinha Garcia Cid, foi feito convênio com três empresas de segurança da Cidade, colocando à disposição dos proprietários rurais cerca de 250 vigilantes.
O presidente da Sociedade Rural ressalta que todo o processo está dentro da lei. Os vigilantes, segundo eles, estão credenciados junto à Polícia Federal, fizeram cursos de tiro e têm direito à porte de arma. Os vigilantes andarão também com um bip, em veículos das empresas. Ele diz que já recebeu vários telefonemas e visitas de proprietários rurais, que pedem informações sobre a vigilância. O temor deles é que depois do dia 15 deste mês ocorram invasões. O MST fez um acordo com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para não realizar ocupações até essa data.
Além de enviar vigilantes às fazendas, a Sociedade Rural vai encaminhar ofícios à Polícias Militar e à Polícia Federal, com as listas dos vigilantes que estão envolvidos no serviço. Não queremos isto, mas, se for necessário, iremos atirar e matar, revela. Ele destaca que a proteção ao patrimônio está assegurada na Constituição Federal. Já o ato de invasão é ilegal e fere a lei, completa.
Josmar Choptian, da direção estadual do MST, não acredita que a Sociedade Rural esteja com um grande cadastro de vigilantes. Eles querem nos amedrontar e aparecer na mídia. Ele observa ainda que a questão da reforma agrária deve ser discutida com o Governo e o Incra, sem a interferência de vigilantes rurais.
O presidente do Sindicato dos Vigilantes, Gabriel Trindade, critica a medida tomada pela Sociedade Rural e destaca que o serviço é ilegal. Ele afirma que as empresas de vigilância devem prestar serviço de proteção a patrimônios, bancos e indústrias. Eles não podem ser usados para proteger latifúndios, função que é do Estado.
Se o serviço for mesmo colocado em prática, Gabriel Trindade diz que o sindicato irá recorrer à Polícia Federal para impedir que trabalhadores se coloquem contra trabalhadores para defender latifúndios. Ele explica que a Confederação dos Vigilantes, em Brasília, já foi informada sobre o assunto.
(Lucília Okamura)


