Denúncias sobre trabalho infantil em Londrina também fazem parte da rotina de atendimentos do Conselho Tutelar. No ano passado, de acordo com a conselheira Ana Cristina Martins dos Santos, o órgão abordou várias crianças e adolescentes comercializando tapetes e fazendo panfletagem na área central da cidade.
''Houve também uma situação de uma pessoa que levava crianças de Londrina para vender tapetes em cidades da região, que foi incriminada judicialmente'', relatou. Segundo ela, a situação já foi pior em Londrina, principalmente nos tempos em que muitos menores de 16 anos trabalhavam na coleta de papel e papelão para reciclagem. ''Felizmente não temos mais esse problema.''
Alheia à vigilância do Conselho Tutelar, Camila (nome fictício), 9 anos, divide o tempo da escola e das brincadeiras com a obrigação de vender doces no Centro de Londrina. ''Não gosto muito de fazer isso, mas se não vou, apanho em casa'', contou.
Com dificuldades para se comunicar, a menina conta à reportagem que às vezes fica cansada do trabalho, realizado na companhia de irmãos. Espectadora de uma realidade que não vivencia, ela acha o Centro bonito, mas revela que raramente entra nos locais por onde passa. O sonho de Camila é brincar num brinquedo de pular localizado no caminho das vendas. ''Mas ninguém nunca me levou. Acho que é muito caro.'' (C.A.)

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