Se eu quero, eu posso
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de novembro de 2008
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
A falta de imposições de limites na infância pode repercutir como uma tsunami na adolescência e juventude. Quem faz o alerta é o psicanalista Ailton Bastos, acostumado a lidar com os conflitos de pais de adolescentes e dos próprios adolescentes. E casos como os de Curitiba, de Santo André e tantos outros que acontecem mundo afora podem, sim, ter relação com uma infância permissiva ou superprotetora.
Na atualidade, muitos pais estão criando seus filhos desde a infância sem limites. Esses filhos têm sempre a sensação de que podem tudo e acabam tendo baixa tolerância a frustrações, pensam que o que querem eles podem. Por outro lado, não são treinados para ter e assumir responsabilidades porque os pais, em muitos casos, os cercam para que não passem por nenhum tipo de sofrimento ou não sintam falta de nada, analisa o especialista. Por ter uma visão de mundo ainda em formação, acabam tendo um entendimento equivocado das coisas.
Quando estes filhos batem à porta da adolescência são colocados à prova e tendem a reproduzir, com uma lente de aumento, o modelo de comportamento que estavam acostumados na infância. E trazem consigo uma sensação de impunidade se eu quero, eu posso sem medir as conseqüências de seus atos. Isso vale tanto para questões envolvendo bens materiais quanto para os relacionamentos afetivos, como amizade e namoro. Sempre existiram situações assim no mundo, mas temos percebido um agravamento destas situações na adolescência, avisa o psicanalista.
Por tudo isso, Bastos convoca os pais a assumirem suas responsabilidades. Os pais têm que ensinar seus filhos a perder. É claro que tem que ensinar a vencer, mas tem que ensinar a perder também, porque isso faz parte da vida, orienta. Ele diz que o papel de pai e mãe tem que ficar claro, sem excessos: é preciso conhecer os filhos, saber com quem eles se relacionam, conhecer as famílias dos amigos, fazer com que amadureçam, permitir que chorem e que enfrentem situações adversas. Os pais precisam reassumir sua liderança sem autoritarismo, conclui.


