Hoje, o hospital de padre Haruo Sasaki, que sempre foi de dermatologia geral e não de ''leprosos'' para evitar o preconceito, já está no prontuário 1.526 para os casos de hanseníase e no 34.500 para outros casos de dermatologia. Tem laboratórios de causar inveja. É referência. Atende a pessoas de dezenas de municípios. Porém, continua sendo necessário matar um leão por dia. Arrumar dinheiro é preciso. A maior receita vinha da venda de própolis, produzido por 70 famílias da região, para os japoneses. Mas o real forte e a tal crise mundial fizeram as vendas caírem bastante. Um convênio celebrado com o governo estadual foi a salvação da lavoura. A Fundação Humanitas mantém ainda uma casa de recuperação de dependentes químicos e um centro de ensino rural.
O padre fala da sua história como se tratasse da coisa mais simples do mundo. Nem parece nascido no Japão, mas enraizado em São Jerônimo da Serra. Torcedor do Grêmio Porto-alegrense, ala esquerda no futebol, não troca o ar gelado da cidadezinha do Norte do Paraná por nada. ''Se eu não sou feliz, quem pode ser?'', responde quando questionado sobre a felicidade. Acorda às 6h, celebra missa às 6h45 e cumpre expediente no hospital das 8h às 17h. Gosta de café, de cerveja e de orquídeas. Esse é o padre Sasaki, sacerdote que não usa batina porque acha que ela o afasta dos pobres. (W.S.)

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