Marcelo AlmeidaJoaquim Tavares Pereira: ‘‘Vou aguardar um pouco, até porque não tenho dinheiro para trazer meu irmão para cᒒA saída do ‘Bandido da Luz Vermelha’ da cadeia está longe de ser uma boa notícia para seu único irmão. ‘‘Ele sempre foi meio estúpido comigo, até quando o visitava na prisão’’, lembra o funcionário público aposentado Joaquim Tavares Pereira. ‘‘Mas não guardo mágoa, apesar de tudo’’, faz questão de ressalvar.
Sentado em um banquinho na varanda de sua casa, uma meia-água comum do balneário de Coroados, em Guaratuba, o aposentado conta que viu João Acácio Pereira da Costa pela última vez há quase três anos. ‘‘Vou aguardar um pouco, até porque não tenho dinheiro para trazer meu irmão para cᒒ, diz Tavares, constrangido.
O programa ‘‘Brasil Verdade’’, da Rede Bandeirantes de Televisão, ofereceu passagem de avião para Tavares buscar o irmão em São Paulo e trazê-lo para Guaratuba. ‘‘Ainda estou pensando no assunto’’, diz ele, que vive da aposentadoria de quatro salários mínimos como ex-guarda da extinta Sucam, hoje Fundação Nacional de Saúde (Funasa).
Dos R$ 480,00 que recebe, 30% (R$ 144,00) são destinados à pensão da ex-mulher. ‘‘Se ele vier morar comigo, vai ter de trabalhar para que nada falte na casa’’, afirma Tavares, hoje com 56 anos. Ele garante que sempre desaprovou a conduta do irmão. ‘‘Mesmo antes de se tornar um criminoso, o João Acácio gostava de bancar o superior’’, recorda.
Tavares acredita que foram ‘‘más companhias’’ as responsáveis pelo rumo que a vida do irmão tomou. ‘‘Eu fugi da casa dos meus tios aos 16 anos para trabalhar, enquanto ele virou bandido’’, lembra. Ambos foram criados pelo tio José Pereira. A mãe deles morreu no período pós-parto de outro irmão, já falecido. O pai morreu de tuberculose.
‘‘Tivemos um infância sofrida’’, diz o aposentado. Na expectativa da liberdade do ‘Bandido da Luz Vermelha’, Tavares mantém sua rotina: ‘‘Limpo a casa, cozinho e cuido das minhas plantas’’. São mais de 100 vasos. As preferidas são o laço-de-cetim, penduradas na parede, logo abaixo dos escudos do Atlético-PR, do Flamengo, do São Paulo e do Joinville. (D.J.)

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