Se divertindo, escoteiros aprendem a ser independentes
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sexta-feira, 16 de junho de 2006
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
TV? Internet? Shopping? Nem pensar. Para uma turma de adolescentes de Londrina, esses ítens não foram incluídos na lista de programação do feriado prolongado de Corpus Christi. Em vez disso, eles ergueram acampamento no Horto Florestal (Zona Sul) na quinta-feira e só pretendem sair de lá amanhã, em tempo de garantir um lugar no sofá da sala para assistir ao jogo do Brasil. São cerca de 100 meninos e meninas integrantes do Grupo de Escoteiros Verde Vale que, vira e mexe, trocam o colo da mamãe pela deliciosa aventura de cultivarem amizades, conviverem com diferenças e assumirem responsabilidades.
O presidente do Grupo e chefe do acampamento, Régis Martins Matioli, explica que a proposta fundamental do escotismo é fazer com que crianças e adolescentes aprendam a assumir responsabilidades e tomem consciência de seu próprio desenvolvimento como pessoa e como célula social. ''Cada um no grupo tem uma responsabilidade no acampamento'', aponta. São eles que se organizam para decidir o que é preciso fazer, de que forma será feito e quem ficará responsável por cada tarefa. E não é só discurso, não. Os escoteiros faxinam e organizam suas barracas, limpam os utensílios após o uso, cozinham a própria comida. Eles precisam improvisar até mesmo o fogareiro para cozinhar os alimentos. Além disso, os escoteiros são incentivados a ampliar seus conhecimentos sobre os assuntos mais diversos, como por exemplo, preservação do meio ambiente e relações humanas.
Matioli pondera que sofre uma ''concorrência cruel'' dos shoppings, TVs e Internet; portanto, convencer um adolescente a passar dois, três dias no meio do mato, sendo picado por pernilongos, dormindo em barracas e ainda ter a obrigação de realizar tarefas, digamos, não muito atraentes, não é fácil. Para isso, a programação do acampamento é extensa e inclui atividades desde a manhã até a noite.
No entanto, quem participa não quer saber de outra coisa. ''Aqui a gente aprende a viver. Gosto de shopping mas adoro mato e barraca. É a melhor coisa do mundo'', atesta o falante Lucas Felipe Santos Gonçalves, de 12 anos. Os dois meses como escoteiro já fizeram o garoto mudar sua rotina também em família. Ele garante que passou a ajudar a mãe em tarefas domésticas e até se arrisca como cozinheiro, vez ou outra. Com alguns meses a mais de experiência em acampamentos que o amigo, Daniel Pedriali, 13 anos, também é só elogios quando o assunto é escotismo. ''É muito legal. A gente aprende muita coisa interessante'', fala o menino.
As amigas Larissa Nunes Martini, 11, e Natálie Mie Viana Nassu, 12, asseguram que no escotismo há, também, espaço para as meninas. Larissa, aliás, inaugurou a segunda geração de escoteiros na família. Incentivada pelo pai, ela diz que não sente falta das facilidades da cidade quando sai para acampar. Até as madrugadas geladas passam despercebidas. ''A gente nem sente o frio'', afirma. As duas moram em apartamento e confessaram que o acampamento faz com que esqueçam, por alguns dias, a ''chatice'' que é morar em prédio.
E o grupinho já acumula, inclusive, aquelas histórias que duram para sempre na vida. Larissa diz que, certa vez, seu grupo esqueceu de tampar a caixa de comida e sofreu uma invasão de formigas. Já Daniel caiu num rio, e levou consigo um monitor, ao se desequilibrar enquanto lavava algumas panelas.
Serviço
Quem quiser saber mais informações sobre escotismo e sobre o Grupo de Escoteiros Verde Vale de Londrina é só acessar a página www.geverdevale.com.br.


