Londrina - Com as punições mais severas estabelecidas pela Lei nº 12.760, de 20 de dezembro de 2012, também chamada de Lei Seca, alguns motoristas passaram a refletir mais sobre o ato de dirigir após beber. Qualquer vestígio de álcool apontado por exame de sangue pode render multa de R$ 1.915,40, além da suspensão da carteira de habilitação por até um ano. Sinais como dificuldades para falar ou andar podem ser usados para comprovar que o motorista está alcoolizado. Como muitos gostam de beber na balada, a saída tem sido usar o táxi.
Entre os taxistas é consenso que o movimento aumentou e alguns inclusive têm até clientes fixos, que usam o serviço todos os finais de semana. Esse é o caso de Djalma Faganholi, taxista há quase dois anos. Ele conta que há um ano começou a trabalhar à noite e que é perceptível o aumento na procura pelo serviço depois da mudança da lei. "Quando o pessoal volta das férias então, é visível a diferença. A moçada está mais preocupada com a fiscalização e, como em geral o pessoal não resiste a beber alguma coisa, o nosso movimento aumentou bastante", atesta.
Segundo Faganholi, tanto moças quanto rapazes usam o táxi, muitos andam em grupo e dividem o valor da corrida, mas os casais mais maduros também são clientes habituais. "Eu já perguntei sobre o carro e eles afirmam que preferem o conforto do táxi. Cerca de 60% dos meus clientes são fixos, ligam direto no meu celular. O restante, na grande maioria, eu pego no ponto, que fica perto de uma casa noturna e no mais são corridas através da central."
Informalmente, alguns taxistas admitem não gostar de atender a esse tipo de público. Reclamam do risco do cliente passar mal e "sujar" o carro devido ao consumo excessivo de álcool ou até de ficar pedindo para parar várias vezes para ir ao banheiro. Faganholi, entretanto, diz que não se incomoda e até desenvolveu algumas táticas, como carregar sacolinhas no carro, para casos de emergência.
"Se eu percebo que o cliente bebeu demais já dou a sacolinha e aviso que se passar mal é só avisar que eu paro o carro. Também reduzo a velocidade e deixo os vidros abertos. Em último caso eu paro e abro a porta rápido. Só aconteceu uma vez de o cliente vomitar no carro e aí não tem jeito, tenho que parar de trabalhar. Não tem lava-jato de madrugada e esse tipo de sujeira tem que mandar lavar todo o interior, devido ao cheiro. Nesse caso a gente tem que cobrar (a lavagem) do cliente, porque além de perder as corridas da noite, perco também as da manhã, quando o pessoal vai para o aeroporto", explica.
O estudante e auxiliar administrativo Paulo Henrique Campana, de 19 anos, é um dos clientes fixos de Faganholi. Ele conta que veio de outra cidade para estudar em Londrina e não tem carro aqui, mas mesmo seus amigos que têm veículo preferem usar o táxi para ir e voltar da balada.
"Já tentamos fazer o motorista da rodada, quando alguém não consome bebidas alcoólicas e fica responsável por dirigir, mas o pessoal sempre cai em tentação e quer beber pelo menos uma cervejinha. Mesmo bebendo só socialmente fica complicado pegar o carro depois e por isso optamos por dividir o preço da corrida. Uso o táxi tanto para ir quanto para voltar e gasto em média R$ 30 por noite. O Djalma é nosso motorista há bastante tempo, quando tenho um compromisso já deixo marcado com ele, que inclusive sabe onde cada um de nós mora, nem precisamos dar o endereço", brinca.
Além da comodidade de poder se divertir sem se preocupar com a fiscalização, Campana conta que dirigir nas noites durante os finais de semana também é mais perigoso. "Muita gente bebe e depois pega o carro. Temos que dirigir por nós e pelos outros", alerta.

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