Maringá vai servir de exemplo para os debates em torno do tema ‘‘As cidades de médio porte’’, durante a 6ª Reunião Especial da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que será aberta nesta quarta-feira à noite no plenário da Câmara de Vereadores. A cidade é pólo da microrregião 9, formada por 29 municípios, que têm, juntos, 578 mil habitantes.
A região produziu, em 1995, 424 mil toneladas de soja, 35 mil de cana-de-açúcar, 75 mil de milho safrinha. A receita total desses municípios, segundo estudo da Fundação Pedroso Horta, do Paraná, chega a R$ 144,7 milhões; as despesas com custeio somam R$ 89,7 milhões; o potencial de investimento é de R$ 45,8 milhões.
Marcos NegriniEntulhosSão 10 caminhões para recolher o lixo em mais de 200 bairrosEm maio, Maringá completou 51 anos de fundação. É uma cidade planejada, com 117 parques, mais de 70 mil árvores nas ruas, o Parque do Ingá, com 47,3 hectares de mata nativa, e o Bosque 2, com 59,4 hectares. E ainda uma reserva, o Horto Florestal, com 36,8 hectares. Maringá tem 267 mil habitantes, segundo o IBGE, e mais de 100 mil eleitores.
Os problemas de Maringá são os mesmos problemas das outras cidades de médio porte do País. A prefeitura tem problemas com a arrecadação do IPTU - há muitos inadimplentes, que chegam a 20% do total. Para incentivar o pagamento em dia, realiza sorteios de carros e terrenos entre os que estão em dia com o imposto.
As principais obras da cidade estão paradas por falta de recursos: o viaduto da Avenida Guaiapó e o Novo Centro (passagem subterrânea de trem).
O transporte coletivo é monopolizado por empresa paulista. Nos horários de pico, os ônibus andam lotados e o sistema não satisfaz o usuário, que é obrigado a ir até um terminal no centro da cidade e de lá pegar outro ônibus para seu bairro. Não existe transporte coletivo interbairros.
Marcos NegriniMau cheiroLoteamento da prefeitura sem alvará por causa dos frigoríficosAs áreas de lazer existentes são de bom tamanho, mas poucas - resumem-se a dois parques e à praça da catedral. Não há centros esportivos públicos centrais. Os cinco cinemas apresentam apenas os lançamentos, e mesmo assim, alguns deles. Não há mostras especiais.
O problema do lixo é antigo na cidade. O ‘‘lixão’’, localizado a dez quilômetros do centro, não recebe os cuidados necessários e é um foco de doenças e moscas que infesta a região. Lá trabalham diariamente mais de 200 pessoas. A prefeitura tem apenas dez caminhões para recolher o lixo em mais de 200 bairros - são mais de 70 mil residências. De vez em quando, um bairro deixa de ser atendido e o lixo acumula. A própria prefeitura reconhece que o número de caminhões é apenas razoável.
Outro problema que atinge cerca de 20 bairros é o mau cheiro provocado por dois frigoríficos instalados desde 1953 na zona sul da cidade. Naquele tempo, a cidade ainda não havia chegado aos locais onde hoje estão os frigoríficos. Devido a pressões políticas, a lei de zoneamento urbano permitiu que essas duas empresas ficassem no local, desde que não aumentassem o seu tamanho. Mas impediu que novos frigoríficos se instalassem no perímetro urbano.
O cheiro exalado pela graxaria e pelo digestor de sangue dos dois frigoríficos já foi motivo de multa e de repreensão do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Em frente a um desses frigoríficos, a prefeitura deu início a loteamento para a construção de casas populares em terreno de sua propriedade. Mas o IAP negou alvará para liberar o loteamento devido ao mau cheiro. Enquanto os frigoríficos estiverem lá, será difícil o IAP aprovar a licença.
O trânsito em Maringá está ficando cada dia mais complicado. A prefeitura espera que a proibição do retorno à esquerda e a entrada em funcionamento da central automática dos semáforos resolvam o problema. Outro problema do trânsito, em debate até hoje na Câmara Municipal mas sem solução à vista, é a permissão para estacionar nos canteiros centrais, o que torna o trânsito de veículos vagaroso e impede uma boa visão para os motoristas. (M.W.V

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