Saza Lates contesta auditoria do SUS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de novembro de 1998
Adriana Ribeiro 
A Associação de Proteção à Maternidade e à Infância (APMI) Saza Lattes, de Curitiba, está contestando as informações da Procuradoria da República no Paraná, que acusa a entidade de ter fraudado o Sistema Único de Saúde (SUS) cobrando por consultas que não foram realizadas. De acordo com uma auditoria do Ministério da Saúde, a irregularidade teria rendido aos cofres da APMI R$ 1,5 milhão. A Saza Lates está sendo cobrada judicialmente, depois que a procuradora Antônia Lélia Neves Sanches entrou com uma ação civil pública pedindo o ressarcimento dos recursos à União.
A diretora da Saza Lates, Deise Noeli Weber Kusztra, nega a acusação e diz que a procuradora está perseguindo a entidade. A briga entre a diretora e a procuradora foi parar na Justiça com ações por abuso de poder e desobediência à autoridade, respectivamente. Ela (procuradora) chegou a me ameaçar de mandar me prender no aeroporto quando eu estivesse em alguma viagem ao exterior, conta Deise Kusztra, que é presidente da Organização Mundial da Família, órgão das Nações Unidas. Kusztra contratou o advogado René Dotti para defender a entidade.
Estão nos acusando com base em auditorias fajutas e cheias de erros grosseiros, até mesmo de cálculos, garante Deise Kusztra. Segundo ela, a procuradoria acusa a entidade de ter cobrado por mais de 18 mil consultas, realizadas entre maio e abril de 1995, que não teriam sido comprovadas. Eles não encontraram as provas das consultas porque não analisaram os prontuários referentes ao mês de maio, garante. Ela conta que ficou sabendo do erro por intermédio de uma funcionária administrativa do antigo Inamps, que teria feito a checagem dos dados enviados pela Saza Lates aos auditores responsáveis pela investigação.
A diretora da entidade diz que por causa dos erros encontrados na primeira auditoria, a APMI solicitou ajuda de técnicos da Organização Mundial da Saúde (OMS), que constataram os equívocos. A informação teria sido repassada à procuradoria, que determinou uma nova auditoria, desta vez com dois fiscais do Ministério da Saúde do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Ontem, a procuradora Antônia Lélia não foi encontrada pela reportagem. Segundo a assessoria de imprensa da Procuradoria da República no Paraná, as informações do órgão se fundamentam em relatórios documentados, mas que cabe às partes discutirem judicialmente suas opiniões.


