Quando se fala em grandes avenidas de Londrina, é impossível não lembrar do nome Saul Elkind, grande coração comercial da cidade fora do circuito central. O primeiro boom de crescimento aconteceu no início da década de 80, quando o aumento no número de conjuntos habitacionais na Região Norte transformou a avenida em principal via de acesso local.
Hoje os seis quilômetros da Saul, como é chamada popularmente, trazem surpresas e uma infinidade de oportunidades. São pequenas lojas de confecção, grandes magazines, bares, lanchonetes. Tantas cores e tantos sabores que fica difícil não se sentir atraído por algo. Em cerca de duas horas de trabalho, a reportagem que passeou pela avenida comprou milho, pesquisou preços de calçados e almoçou o famoso pastel gigante.
O milho fica estacionado em uma esquina da avenida já afastada do Centro de comércio, mas não menos movimentada. O autônomo Paulo Céu afirma que sai do Distrito da Warta para vender suas espigas e verduras na Região Norte. ''Desde 2006 que estou aqui e não troco por outro lugar. Nos finais de semana chego a vender 15 caixas de espiga de milho em um dia'', garante.
A proprietária de uma loja de roupas, Maria Marcelina Ruiz Guilhen, escolheu o local há quase cinco anos para iniciar o negócio. A decisão, segundo ela, foi mais do que acertada. ''Tínhamos uma loja menor e agora estamos em um prédio grande porque o movimento é muito bom. A região é bastante grande e a população local prefere comprar aqui do que ir para o Centro. Abrimos uma filial na Região Central também mas a loja da Saul vende mais'', afirma.
E a fama da avenida já é tão boa que atrai até mesmo pessoas de locais mais distantes. De acordo com o gerente de uma loja de móveis e eletroeletrônicos, Carlos Roberto Rodrigues, aos sábados é comum receber clientes de todas as regiões. ''As pessoas vão para o Centro de manhã e à tarde vêm comprar aqui. Já fizemos várias vendas para locais distantes da Região Norte'', diz.
Mas nem só de comércio vive a Saul. Nas extremidades da avenida, afastadas das lojas, é possível encontrar casas de pessoas que acompanharam todo o desenvolvimento do local. ''Estou nessa casa há 30 anos. Criei meus filhos na Saul e agora crio os netos aqui também. Antigamente era mais tranquilo mas tínhamos menos estrutura. Hoje tudo o que a gente precisa fica pertinho. Não mudo daqui de jeito nenhum'', comenta a dona-de-casa Hideli Vasques Bortoloto, 57 anos.
Já a moradora Delsoita Maria de Jesus da Silva, 68 anos, afirma que gostaria de se mudar da avenida. ''Hoje tem muito barulho, muito movimento, além do problema de enxurrada, que acontece quando a chuva é muito forte. Antes a gente tinha mais sossego e eu preferia'', reclama.
Além do movimento e do barulho, o crescimento da avenida gerou outros desconfortos. A casa do aposentado Antônio de Oliveira, 74 anos, apresenta duas placas de numeração diferentes. Ele explica que com o aumento da via, a prefeitura precisou renumerar todas as construções há cerca de um ano e ele optou por deixar as duas placas para facilitar quem ainda o procura pelo número antigo. ''Deu um pouco de trabalho mas tudo bem. Moro aqui há 14 anos e acho ótimo ter tudo por perto e ainda conhecer todos os vizinhos.''
A avenida recebeu esse nome na década de 80, em homenagem ao pai do diretor geral do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), Davi Elkind.

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