Saúde vira suplício para moradores da Zona Oeste
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quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Vítor Ogawa <br> <br> Reportagem Local 
Conseguir atendimento médico no sistema público em Londrina não é tarefa fácil. Para moradores da Zona Oeste, as dificuldades nos últimos tempos são ainda maiores. O problema está mais grave porque a Unidade Básica de Saúde (UBS) Dr. Rui Viana Junior, do Jardim Bandeirantes, está em reforma desde 21 de dezembro. A equipe dessa unidade até foi transferida temporariamente para o posto do Jardim Tókio, que fica dois quilômetros distante, mas a dificuldade de acesso complica a vida dos pacientes.
Até mesmo o atendimento do Centro de Saúde Municipal Herbert de Souza - ''Betinho'', conhecido como UBS do Jardim Leonor, foi afetado com a migração de pacientes de outros bairros da Zona Oeste. Para completar o quadro, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jardim Sabará, inaugurada no dia 30 de junho como Hospital Municipal Francisco de Arruda Leite, foi entregue à população sem recursos humanos e sem equipamentos e ainda não há previsão para começar a funcionar.
O mecânico industrial aposentado Benedito Territo, de 65 anos, mora na Rua Pirineus, no Jardim Bandeirantes, e precisa medir a pressão arterial frequentemente. No entanto, a reforma da UBS do bairro obriga que ele frequente a UBS do Jardim Tókio. ''Já aconteceu de eu encontrar a UBS do Jardim Tókio fechada e perder a viagem'', relatou. Ele diz que tem condições de caminhar, mas já presenciou outras pessoas com mais idade que sofrem ainda mais com a situação. ''Eles chegam à UBS do Tókio praticamente se arrastando'', expôs.
Outro morador do Jardim Bandeirantes reclama da situação é o garçom Willian Pereira, de 20 anos. Ele quebrou o pé e precisa do auxílio de muletas para se locomover. Como a dificuldade é grande, tem que pegar carona com um primo para ir até a UBS do Tókio. ''Eu tenho que trocar os meus curativos diariamente e preciso me deslocar de lá até aqui no Tókio. É uma vergonha uma reforma durar tanto tempo.'', reclamou.
Na UBS do Jardim Leonor houve um aumento de frequentadores oriundos do Jardim Bandeirantes e adjacências e isso tem aumentado o tempo de espera nas filas, o que irrita alguns moradores do bairro. A operadora de máquinas Franciele Cristina da Silva, de 25 anos, mora no Leonor há anos, e conta que já houve dias em que chegou às 17 horas e só foi atendida às 22 horas. ''Isso tem sobrecarregado a UBS do bairro e muita gente tem reclamado disso'', destacou.
A dona de casa Daiane Moura da Silva, 23, enfrentou o mesmo problema e destacou que ainda há o problema adicional da falta de médicos especialistas no período da tarde. ''Muitas vezes tenho que ir diretamente para o PAI (Pronto Atendimento Infantil) devido a essa falta de pediatras'', criticou.
Além da UBS do Jardim Bandeirantes estar fechada, a UPA do Jardim Sabará, que deveria ajudar a desafogar as outras unidades de saúde do município, foi inaugurada no dia 30 de junho sem médicos e sem equipamentos e até agora não entrou em funcionamento.
Os moradores das imediações da UPA do Sabará reclamam da demora em equipar e contratar a nova equipe. A costureira Ana Conceição Giovaneti, de 65 anos, criticou a situação e afirmou que a ''saúde na cidade está piorando cada vez mais na região''. Ela conta que está frequentando a UBS do Tókio, mas que recentemente também foi afetada pela greve dos servidores da UEL. ''Eu tinha uma consulta marcada há seis meses no HC e acabei perdendo a viagem, pois eles estavam em greve'', reclamou Ana, que possui problemas de tireoide, rim e pressão alta.
O Ministério da Saúde liberou R$ 4,1 milhões para a construção da UPA e caberia ao município adquirir equipamentos e contratar funcionários. A capacidade de atendimento será de 450 pessoas por dia.
A reportagem procurou a Secretaria Municipal de Saúde para comentar o assunto, mas ninguém concedeu entrevista até o fechamento da edição.


