Todas as cartelas do anticoncepcional Microvlar, do laboratório Schering do Brasil, vão ser retiradas das farmácias do Estado. Em Londrina, a apreensão do medicamento deverá começar hoje e será realizada pela Vigilância Sanitária Municipal. A interdição cautelar foi determinada ontem pela Vigilância Sanitária Estadual, sob a orientação do Ministério da Saúde.
Parte de um lote fabricado na Shering de São Paulo, como teste para uma nova embalagem do medicamento, foi desviado e vendido para farmácias. O conteúdo das embalagens em teste é placebo - uma farinha sem nenhum efeito medicamentoso - e as cartelas deveriam ter sido incineradas como resíduo industrial.
‘‘O medicamento vai ser apreendido até que a empresa fabricante esclareça a situação e garanta a eficácia dos lotes que colocar no comércio’’, explica a chefe da Vigilância Sanitária Estadual, Maria Aida Rezende. Ela esclarece que o procedimento é de rotina para este tipo de caso e os medicamentos apreendidos deverão ser devolvidos ao fabricante.
Segundo a Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, a empresa só descobriu o ‘‘desvio’’ há cerca de 10 dias. Foi depois que uma consumidora procurou a Schering, informando ter ficado grávida enquanto tomava o medicamento. A fabricante registrou boletim de ocorrência, mas até terça-feira não tinha informado ao Ministério da Saúde quantas cartelas do teste foram desviadas.
A apreensão do remédio em Londrina vai começar pelas 24 distribuidoras de medicamentos da Cidade. Uma equipe da Vigilância Sanitária do Município vai passar ainda nas 165 farmácias do município apreendendo o medicamento e informando sobre a proibição da venda do produto. ‘‘Vamos começar imediatamente, mas precisaremos de alguns dias para atingir todas as farmácias e distribuidoras’’, adiantou a coordenadora de produtos e serviços de saúde da Vigilância Sanitária do município, Giane Zupellari. As farmácias que insistirem em vender o Microvlar antes do Ministério da Saúde liberar o produto serão multadas.
Só a rede de farmácias Vale Verde de Londrina, que conta com oito lojas, informou ontem que dispõe de 400 envelopes de Microvlar em estoque. A média de vendas do anticoncepcional da rede é de cerca de mil envelopes por mês. ‘‘ A Shering avisou a gente do problema através de fax na segunda-feira e nós suspendemos a compra provisoriamente’’, afirma o diretor comercial da Vale Verde, Rubens Benedito Augusto,
Desde o início da semana, diz, os funcionários da rede estão orientando os clientes a entrar em contato com seu médico para substituir o Microvlar por outro anticoncepcional. Ele explica que o Microvlar é um dos anticoncepcionais mais vendidos pelas farmácias em geral. ‘‘Os atrativos são a eficiência do medicamento e o baixo custo’’, esclarece.
Ele explica que o Microvlar tem baixo teor de hormônios e chega a custar até 5 vezes menos que os anticoncepcionais de baixo teor de hormônios de última geração. A cartela com 21 comprimidos é vendida a R$ 2,90.
A Central de Medicamentos do Paraná (Cemepar), que fornece medicamentos para os municípios através de programas de assistência, não acredita que a rede pública tenha sido afetada pelo problema. A chefe da divisão de medicamentos da Cemepar, Deise Sueli di Pietro Caputo, informou ontem que a última remessa de Microvlar repassada pelo Ministério da Saúde foi em abril de 97.
‘‘Os lotes com problemas foram fabricados este ano’’, diz. Ao todo, o Estado recebeu 153 mil comprimidos e todas as cartelas. Elas foram distribuídas em maio para os municípios através do Grupo de Planejamento e Controle (GPC), um dos programas da Secretaria Estadual de Saúde.

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