A Secretaria Municipal de Saúde vai ampliar a rede de atendimento psicossocial em Londrina e estender a assistência a moradores de rua. O Município assina, na semana que vem, a ordem de serviço para a construção da sede do Centro de Atendimento Psicossocial (Caps). A previsão de investimento é de quase R$1 milhão (leia mais nessa página).
  Paralelo a essa obra, a secretaria já começa a pôr em prática um projeto-piloto que pretende reabilitar jovens e adultos que vivem nas ruas. Segundo a gerente de Saúde Mental da secretaria, Cristina Schurmann, a fase experimental do projeto irá atender os 20 jovens, com idades entre 19 e 25 anos, que ‘‘moram’’ nas proximidades do Zerão, na região central de Londrina. Dependência química e problemas emocionais foram alguns dos fatores observados entre o grupo.
  ‘‘Os contatos já começaram. Montamos um grupo de acolhimento que fez visitas a essa população para conhecer suas necessidades e apresentar o projeto a eles’’, explicou. A ação da secretaria prevê a transferência dos jovens para uma casa utilizada especialmente para o projeto, onde haverá acompanhamento de uma equipe formada por auxiliares de enfermagem, assistente social, psicólogo e terapeuta ocupacional. O local ainda está sendo selecionado. Também deverão ser oferecidos cursos de alfabetização e profissionalização.
  ‘‘A receptividade desses jovens à idéia foi excelente nos primeiros dias. Mas a gente sabe que o desejo deles de sair da vida que estão levando existe, mas é muito frágil’’, observou Cristina. Ela destacou que um dos objetivos do projeto é resgatar o vínculo familiar dos moradores de rua, mas reconheceu que vários deles nunca tiveram família. ‘‘Alguns foram abandonados pelos pais, cresceram em orfanatos e acabaram nas ruas. Não têm ninguém no mundo’’, apontou. A gerente prevê que o projeto comece a funcionar dentro de 15 dias.
  Na edição de ontem, a Folha apontou o drama de centenas de pessoas que, sem família ou moradia, e enfrentando problemas de saúde mental e física, têm como única saída os albergues da cidade – locais que não oferecem atendimento de saúde adequado. De acordo com Cristina, o projeto voltado para moradores de rua poderá ser aplicado a esse público. Ela disse, contudo, que o destino dos internos da Casa do Bom Samaritano – abrigo que atende preferencialmente doentes mentais – está sendo discutido à parte, por uma comissão formada por representantes das secretarias de Saúde, Assistência Social e do Idoso, além do Ministério Público (MP).

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