Saúde usará plantas medicinais em Londrina
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terça-feira, 16 de setembro de 2003
Vanessa Navarro<br> Reportagem Local 
Plantas medicinais que já figuram há tempos no receituário doméstico de muita gente, em forma de chás e infusões, farão parte, agora, de tratamentos médicos da rede municipal de Saúde, em Londrina. A novidade foi oficializada ontem, durante o lançamento do ''Programa Municipal de Fitoterapia'', com a presença dos secretários municipais de Saúde, Sílvio Fernandes, e de Agricultura e Abastecimento, Nilson Ladeia. O prefeito Nedson Micheleti (PT), que participaria da cerimônia, não compareceu.
Embora seja a forma mais antiga de medicina registrada na História, o uso científico da fitoterapia na cultura ocidental é recente. Tanto que, somente nos anos 70, foi reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Em Londrina, os remédios fitoterápicos já vêm sendo receitados em clínicas particulares e têm, entre os pacientes, defensores ferrenhos. Caso da dona de casa Marinalva de Souza, 39 anos. Avessa a antibióticos e outros medicamentos que ''agridem o organismo'', como ela mesma define, Marinalva não hesita em buscar na fitoterapia a cura para diversas doenças, mesmo que isso exija um pouco mais de paciência. ''O efeito desses remédios não é tão imediato, mas quando o resultado chega é bem melhor e é definitivo. Eles entram em sintonia com o organismo, é como uma cura de dentro para fora'', definiu.
A implantação da fitoterapia na rede municipal é uma luta antiga, segundo o responsável técnico pelo programa, o médico Rui Diniz. ''Discutimos tantas vezes, sem chegar a lugar nenhum, que quase desanimei'', recordou, observando que o assunto envolvia ''questões éticas e políticas''. Por se tratar de uma experiência inédita no município, envolvendo um método de terapia alternativo, o programa será implantado, inicialmente, em 14 Unidades Básicas de Saúde (UBS) as 13 existentes na área rural mais a UBS do Jardim Eldorado (zona sul). Diniz explica que a zona rural foi escolhida por ser mais receptiva aos remédios fitoterápicos. Além disso, uma das idéias do programa é capacitar produtores rurais a cultivar ervas medicinais, sob orientação técnica e sem o uso de defensivos agrícolas.
Junto com a esposa, o produtor Odácio Manchini, 72 anos, já cultiva esse tipo de planta no Patrimônio Três Bocas (zona sul). As ervas são comercializadas, in natura, em feiras livres da cidade. ''Vendemos muito para aposentados, que têm problemas como pressão e diabetes e precisam reduzir o custo do tratamento'', contou. Manchini espera colaborar, em breve, com o programa recém-lançado. Por enquanto, o Município está adquirindo os remédios industrializados, de laboratórios vencedores de licitação, em forma de gel, cápsula e xarope. ''A indústria já vende os fitoterápicos com o teor de princípio ativo padronizado'', justificou o engenheiro agrônomo Guilherme Casanova Júnior, colaborador do programa.
Segundo o secretário Sílvio Fernandes, o custo inicial do programa deve girar em torno de R$ 9 mil por mês. A previsão da secretaria é que o programa seja estendido para as outras UBSs da cidade dentro de seis meses.


