Durante todo o ano de 2001, Londrina sofreu com o problema de superlotação nos hospitais, agravado com o início da greve no Hospital Universitário (HU), em setembro. Para o secretário municipal de Saúde, Sílvio Fernandes da Silva, a falta de leitos nos pronto-socorros e nas unidades de terapia intensiva (UTIs) dos hospitais é crônica e não característica do ano que passou. Por isso, em 2002, o panorama não deverá ser diferente se não houver investimento para ampliação de leitos na cidade. ‘‘A ampliação dos leitos da Santa Casa, em dezembro, foi significativa, mesmo não sendo ainda suficiente, por isso a ampliação dos leitos do HU é urgente, assim como a criação de uma unidade de cuidados intermediários pediátrica’’, afirmou.
Mesmo iniciando o ano de 2001 com uma dívida de R$ 40 milhões, a Secretaria de Saúde contabilizou boas notícias. Uma delas foi a redução das filas de espera para consultas com médicos especialistas, de 50 mil pessoas, para 30 mil. Outra foi a parceria firmada com empresas municipais para o combate à dengue e ao mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti, com o objetivo de reduzir os altos índices da doença registrados no último verão. A dívida da secretaria, segundo Fernandes, não cresceu, porque mensalmente foram repassados R$ 350 mil para a Caixa de Assistência de Aposentadoria e Pensão dos Servidores Municipais de Londrina (Caapsmel), e ‘‘ainda diminuiu’’ em R$ 6 milhões, com o pagamento de algumas contas.
Para 2002, a meta da administração municipal é consolidar o trabalho do Programa Saúde da Família, que atende cerca de 70% da população com 90 equipes, e investir na prevenção e promoção da saúde, ao contrário do atual modelo de assistência, considerado ultrapassado, porque é voltado a tratar doenças. Outras metas são diminuir para 15 a 20 mil pessoas a fila de espera com especialistas e substituir a Central de Leitos por uma Central de Regulação, com médicos orientando as transferências entre hospitais.




JANEIRO:
10 - Secretaria Municipal de Saúde começa o ano com dívida de R$ 40 milhões, referente à Caapsmel e contas de água, luz e telefone não pagas, herdadas da última administração.
12 - Santa Casa de Londrina inicia reformas no Pronto-Socorro (PS).
30 - Constatados pelo menos 20 casos de leishmaniose na zona urbana de Londrina e em todo o município, 80 casos confirmados.
FEVEREIRO:
25 - Estado enfrenta a volta de enfermidades já controladas e próprias da pobreza, como malária e dengue.

MARÇO:
18 - Hospital Universitário (HU) tem dia caótico, com pacientes sendo atendidos até no chão do corredor do pronto-socorro.
29 - Intensificada a campanha de vacinação contra a febre amarela no Estado, por causa dos altos índices de infestação do mosquito Aedes aegypti.

ABRIL:
19 - Hospital Evangélico (HE) e Hospital Universitário (HU) recebem o Prêmio Qualidade Hospitalar 2000, do Ministério da Saúde.

MAIO:
1º - Secretaria de Saúde confirma 50 casos de dengue nos primeiros quatro meses do ano, dois deles importados e 48 autóctones.
23 - Paraná registra mais 79 novos casos de dengue. Só em Londrina foram contabilizados mais 18 casos, num total de 90.

JUNHO:
13 - HU abre sindicância para apurar morte do ex-andarilho Ademir Pontes, 43 anos, durante uma cirurgia no abdômen. O Ministério Público iniciou investigação do caso, que aponta indícios de negligência por parte do Hospital da Zona Norte (HZN), onde o paciente recebeu os primeiros atendimentos.
20 - Hospitais se organizam para agilizar o atendimento a casos de urgência na cidade, que sofre com a falta de leitos.
28 - Londrina é a primeira cidade do Sul do País a fazer cirurgia de rim usando a técnica de videolaparoscopia. O beneficiado pela técnica, realizada por uma equipe da Santa Casa, foi Adilson Vitorino de Oliveira, 31 anos, que recebeu o rim da irmã, a dona de casa Eloina Aparecida de Oliveira, 22 anos.

JULHO:
23 - Oficializada a mudança na composição do Conselho Municipal de Saúde de Londrina (CMS). De 16 membros titulares e 16 suplentes, passam a ser 24 titulares e 24 suplentes.

AGOSTO:
31 - Obstetras iniciam movimento para manter em funcionamento a
maternidade da Santa Casa, fechada para reforma há quase um ano, e acionam a Promotoria de Defesa do Consumidor.

SETEMBRO:
15 - Médicos, lideranças comunitárias e populares fazem protesto contra o fechamento da maternidade da Santa Casa
17 - Começa greve do Hospital Universitário, com a adesão dos funcionários à greve geral dos servidores da Universidade Estadual de Londrina (UEL). No Hospital de Clínicas as consultas foram desmarcadas por tempo indeterminado.
21 - O movimento no hemocentro do Hospital Universitário diminui 50%. Servidores em greve iniciam doações para manter o estoque de sangue.

OUTUBRO:
13 - Hospitais públicos começam a sofrer com superlotação, depois do fechamento do PS do Hospital Universitário.
17 - A superlotação de pacientes em consequência da greve no HU chega ao PS da Santa Casa. A demanda também chega à Maternidade Municipal, com casos relacionados a doenças das mães.
25 - Morre paciente recusado em dois hospitais, vítima de parada cardíaca. José Antonio Bernardes, 44 anos, não conseguiu atendimento no Hospital Universitário, em greve, e na Santa Casa, que estava com o PS fechado por causa de superlotação. A família ficou revoltada com a recusa dos hospitais em prestar o socorro. Para o diretor-clínico do HZN, Antonio Carlos Petrus, onde o paciente conseguiu atendimento, mesmo que ele tivesse sido atendido antes, não teria resistido.
25 - Pronto-Socorro da Santa Casa é reaberto depois de mais de 24 horas fechado por causa de superlotação.
26 - Secretaria Municipal de Saúde cria o comitê gestor da crise, para facilitar a transferência dos casos de maior e menor complexidade e evitar a sobrecarga nos hospitais. O comitê funcionará enquanto durar a greve do HU.
30 - Hospitais de Londrina trabalham acima do limite da capacidade por causa da greve do HU.

NOVEMBRO:
12 - Hospitais da Zona Norte e da Zona Sul e postos de saúde 24 horas mantém médicos e auxiliares de enfermagem em escala diferenciada. A medida teve como objetivo garantir atendimento à população durante a greve do HU.
28 - Santa Casa informa que não vai reabrir maternidade. Unidade vai funcionar no Hospital Infantil, que receberá investimentos de R$ 500 mil para ampliação do prédio e compra de equipamentos. Os seis leitos pediátricos desativados servirão para atendimentos de emergência.

DEZEMBRO:
7 - Santa Casa de Londrina fecha o PS por 12 dias em função das reformas.
11 - A situação nos hospitais se agrava ainda mais por causa do fechamento temporário do PS da Santa Casa.
12 - Hospitais mudam regras para evitar superlotação. Secretaria Municipal de Saúde orienta os hospitais a suspender as cirurgias eletivas até a reabertura do PS da Santa Casa.
20 - Ministro da Saúde, José Serra (PSDB), inaugura o
Centro de Emergência e Trauma (CET) da Santa Casa e anuncia convênio de mais R$ 4 milhões para continuidade das obras na instituição. Um convênio entre o Ministério da Saúde e a UEL, de R$ 1,6 milhão, para a produção de medicamentos, também foi assinado. A Santa Casa ganha mais 12 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), e 18 para pacientes em observação no PS.
28 - Secretaria de Saúde de Londrina informa que já gastou R$ 94 mil para garantir o atendimento em hospitais e postos de saúde, durante a greve. Se a paralisação continuar em janeiro, a expectativa é que os gastos subam para R$ 150 mil.
31 - Ano termina com Hospital Universitário em greve e perspectiva de negociação apenas a partir do dia 4 de janeiro.

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