Saúde só disponibiliza um tipo de vacina para doença
Londrina já contabilizou neste ano oito casos de meningite meningocócica, um dos tipos mais graves da doença. Três pessoas morreram - uma a mais do que em 2003. A última vítima foi Bruna dos Santos, de apenas seis meses. Ela contraiu meningite em Londrina mas faleceu em um hospital de São Paulo, no último dia 9, para onde viajou com os pais para ser batizada.
Segundo a mãe, Luciana dos Santos, 22, passaram-se menos de 30 horas entre a manifestação dos primeiros sintomas e a morte do bebê. ''Ela estava muito bem na noite de sábado. De madrugada, começou a passar mal e nós a levamos ao hospital. Ali eles fizeram exame de sangue mas não detectaram nada. Mesmo assim ela foi para a UTI, onde morreu na segunda-feira de manhã'', detalha.
Luciana se diz revoltada pela falta de divulgação sobre a doença. ''Se eu soubesse que isso poderia acontecer, teria buscado uma vacina para a minha filha antes, nem que fosse numa clínica particular. Por que o Ministério da Saúde (MS) não divulga que existe essa vacina?'', questiona.
De acordo com a diretora de Epidemiologia da secretaria de Saúde de Londrina, Sônia Fernandes, a rede pública só disponibiliza a vacina contra a Haenophilus Influenza do Tipo B, que é uma das bactérias causadoras da meningite. Ela explica que a Saúde só aplica vacinas contra outros tipos de meningite bacteriana (como a meningocócica) em caso de surtos e epidemias - o último foi na década de 1980. ''No momento, não há nada que caracterize um surto de meningite em Londrina, porque os casos registrados não tiveram relação entre si'', diz. Sônia afirma que o número de óbitos também está dentro da média.
O médico infectologista José Luis da Silveira Baldy, do Hospital Universitário (HU) de Londrina, acredita que a aplicação de vacina contra meningite meningocócica é recomendável, porque praticamente garante a proteção contra a doença em crianças e adultos. ''É uma vacina onerosa, e por isso mesmo não compensaria para o Ministério da Saúde colocá-la no calendário oficial de vacinações. Mas individualmente, eu diria que todas as pessoas que pudessem pagar por ela deveriam usar'', opina. O custo da dose gira em torno de R$160,00 - são três doses para crianças menores de um ano, e uma única acima dessa idade.
A meningite, tanto do tipo viral quanto bacteriana, pode ser transmitida pelo ar. Embora seja difícil evitar a doença sem vacinas, os profissionais de sa© úde recomendam manter os ambientes arejados. Mesmo os tipos mais graves da doença, como a meningocócica, são curáveis. A demora no tratamento pode acarretar sequelas como cegueira, surdez e retardo mental.(V.N.)





