Saúde sai atrás de pacientes 'esquecidos'
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sexta-feira, 04 de julho de 2003
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
A dona de casa Maria Clarice Ramos tem 42 anos e, apesar dos três filhos, garante: os cuidados com a própria saúde são uma obrigação que a maternidade não pretende deixar de lado tão cedo. Há duas décadas, ela realiza anualmente o exame de prevenção do câncer ginecológico, doença que afeta principalmente mulheres de 30 a 49 anos, e segue as orientações do médico. Não só isso: ela conseguiu ainda driblar o medo da irmã sexagenária e a convenceu a fazer o mesmo.
Infelizmente, casos como o de Marli não são uma unanimidade, hoje, em Londrina. Assim como ela, milhares de outros moradores de todas as regiões até realizam o exame, mas, por esquecimento ou negligência, deixam de buscá-lo. Até pouco tempo atrás, isso praticamente anulava as possibilidades de tratamento da doença, mas esse quadro tem sido revertido desde julho de 2001, quando o Governo Federal implantou o Programa Saúde da Família (PSS), que abrange cerca de 70% da população do município. A prioridade do programa, na verdade, atende por um nome bem sugestivo: Busca Ativa, estratégia que coloca médicos, enfermeiros, auxiliares e agentes comunitários de saúde em contato direto com o paciente para trazê-lo de volta ao tratamento, seja por telefone, ou nas casas.
Em Londrina, a busca envolve 94 equipes, que, só de agentes de saúde, abrangem 450 pessoas, distribuídas em 51 postos. Segundo a chefe da Diretoria de Ações de Saúde (DAS), Brígida Gimenez Carvalho, muitos pacientes fazem exames médicos que constatam alterações e sequer vão buscá-lo.''Não só isso, mas avisamos também aqueles que estão com vacinas atrasadas, ou que precisam fazer exame de dengue, pré-natal, de glicose ou checar algum resultado preventivo de câncer'', completa. Além desses, é feito também o acompanhamento dos bebês recém-nascidos por até um ano.
No posto de saúde do Conjunto Vivi Xavier, por exemplo, a equipe faz por mês pelo menos 150 visitas, conforme a enfermeira responsável, Maria Eliana. Ela conta que, para o exame preventivo de câncer ginecológico, as visitas acabam englobando também parentes das pacientes cadastradas. ''Orientamos as que ainda não fizeram o teste a procurar o posto'', diz. No posto do jardim União da Vitória, comenta a enfermeira Marilu Simoneli, cerca de 50% da demanda precisa ser atendida pela Busca Ativa.
Já na unidade da Vila Brasil, a busca é aplicada com resultados mais efetivos principalmente para o pré-natal: ''Se a gestante falta no dia agendado, entramos em contato com ela por telefone, ou no próprio domicílio, no mesmo dia ou, no máximo, no dia seguinte. E isso, com todas'', conta a enfermeira Renata Cristina Baldo, do posto da Vila Brasil. É de lá, também, o alerta de uma das agentes comuitárias de saúde, Fernanda Pelicano: vítimas de mordeduras ou arranhões de animais, após o primeiro exame, não voltam mais para atendimento. ''É bem comum esses pacientes se descuidarem, e a raiva pode ser uma doença letal'', acrescenta.
Conforme as estatíticas do DAS, em 2002 foram 834.080 famílias atendidas pelo Programa de Saúde à Família. Este ano, até maio, o número já chega a 422.369.


