As dificuldades dos ex-ilhéus do Parque de Ilha Grande chegam a situações dramáticas. Alguns têm problemas para comprar os medicamentos indispensáveis para tratamento de doenças graves. Enquanto isso, só resta a esperança de receber as indenizações.
Moradora de Guaíra, Tarcila Scheibler, 58 anos, convive diariamente com a dor, consequência de um acidente vascular cerebral (AVC, ou derrame). O gasto mensal com medicamentos é de R$ 160,00 - valor muito alto para quem recebe salário mínimo do INSS. ''Tenho esperança, mas já faz tanto tempo que a gente espera... E como a gente vai se tratar se o dinheiro não sair?''.
Tarcila teve muitas adversidades da vida. Nos dez anos como moradora da Ilha Grande, enfrentou enchentes com coragem. ''Depois de uma enchente, fiquei de barco no rancho para não perder tudo. A gente colhia o arroz de dentro da água, com água pelo pescoço''. O esforço rendia bastante. A média de colheita era de 500 sacas de arroz e 30 de feijão por safra. A pescaria também era farta. Fartura que hoje está apenas na memória de Tarcila Scheibler. ''Muitos dos que moraram na ilha hoje não têm nada. A minha sorte é que eu tenho a mente boa. Mas, às vezes, até dá vontade de dar um tiro na cabeça''.
Outro ex-ilhéu com graves problemas de saúde e financeiros é João Pulcino dos Santos, 67, morador de Querência do Norte (113 km de Paranavaí). De 1971 a 1981, ele viveu em uma área de 37 hectares na Ilha Grande. Por quatro anos, morou em um assentamento em terras do governo em Castro (41 km ao norte de Ponta Grossa). O clima frio e o solo improdutivo impediram a permanência. ''E no final, a colheita era um nada'', ressalta. Exibindo o título de propriedade das terras, o agricultor resigna-se com a situação atual.
Ele está em cadeira de rodas há seis meses, aguardando cirurgia de hérnia de disco. Apesar de receber apenas um salário mínimo, gasta o triplo em remédios. O sustento é garantido pelo trabalho da esposa e dos três filhos no pequeno sítio, em terra ocupada em Querência. ''Não podemos deixar as terras de graça para o governo. Temos os títulos destas terras''.(F.R.F.)
Amanhã: Ibama diz que pagamento das indenizações é prioridade nacional

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