O secretário do Estado de Saúde, Cláudio Xavier, anunciou ontem a liberação de uma verba estadual de R$ 100 mil mensais para o Hospital Universitário de Londrina (HU). O dinheiro faz parte de um plano de repasses que deve contemplar outras 19 unidades hospitalares em todo o Paraná. Xavier se reuniu em Londrina com prefeitos e representantes da saúde das 22 cidades que integram a Associação dos Municípios do Médio Paranapanema (Amepar), para apresentar os planos do governo na saúde para a região.
Mas para colocar qualquer ação em prática, a secretaria tem que driblar um grande obstáculo: a escassez de recursos. A fatia da saúde no orçamento total do governo para 2003 não chega a 6%. ''O orçamento da saúde no Paraná está em penúltimo lugar no País. Como medida emergencial, o governo está tentando redirecionar recursos de outras pastas para a saúde'', explica o secretário. A lei determina que, pelo menos, 10,75% do orçamento do governo estadual seja destinado à saúde. A área enfrenta déficit também no número de funcionários de saúde: são 6,8 mil funcionários para 9,5 milhões de habitantes, de acordo com o secretário.
No setor de atendimento básico, o Estado pretende expandir o Programa de Saúde da Família com recursos federais. Segundo o secretário, Londrina será uma das quatro primeiras cidades beneficiadas no Estado além de Apucarana, Maringá e Curitiba e uma das 100 primeiras em todo o País a ser contemplada. Já para os atendimentos de média complexidade, o governo pretende disponibilizar, até o final do semestre, pacotes de custeio entre R$ 25 mil e R$ 30 mil, destinados aos consórcios de saúde do estado. Um deles é justamente o Consórcio Intermunicipal de Saúde dos Municípios do Médio Paranapanema (Cismepar). ''O Paraná tem cerca de 150 mil pessoas na fila por consultas especializadas. Com esses recursos acredito que poderemos dobrar a oferta de consultas e exames complementares'', estima Xavier.
O secretário disse também que o governo estadual pretende criar 50 novos leitos para Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Paraná, que se somariam aos 122 leitos já garantidos pelo Ministério da Saúde. ''O objetivo é zerar a carência de leitos de UTI, que atualmente está entre 150 e 200 leitos'', destaca. A distribuição ainda não foi definida, mas os municípios de Ponta Grossa e Paranaguá terão prioridade.
O combate à dengue também foi tema da reunião. O diretor do Centro de Saúde Ambiental (ligado ao governo estadual), José Francisco Konolsaisen, disse que a campanha estadual de inverno contra a dengue tem como meta evitar a eclosão de novas epidemias. Ele destacou que o programa de prevenção apresentado pela 17 Regional de Saúde, em Londrina, é uma das maiores propostas já apresentadas no Brasil para o controle da doença. Segundo o diretor, o Ministério da Saúde deu sinal verde para a realização do programa, mas os recursos ainda estão sendo negociados.

mockup