Saúde registra 80 casos de hantavirose
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domingo, 24 de novembro de 2002
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba A Secretaria de Estado da Saúde divulgou ontem o registro de 80 casos de hantavirose no Paraná nos últimos dois anos. Deste total, dez foram confirmados neste ano. Cerca de 50% dos contaminados com a doença morreram por falta do tratamento adequado. A hantavirose é uma doença muito rara. Ela está presente em países como o Brasil, Argentina e Canadá em regiões onde existem florestas de pinus. ''É uma doença muito específica e preocupante. Ela acontece por causa do descuido das pessoas que cortam os pinus'', explicou o secretário de Saúde, Luiz Carlos Sobânia.
A hantavirose é transmitida através de ratos típicos da região composta por pinus. Na maioria dos casos investigados, a doença foi transmitida por mordida ou urina de rato. Os cortadores de pinus ficam dias na floresta para cumprir o trabalho e enviar a madeira para as indústrias. Geralmente eles improvisam camas e barracas diretamente no solo. ''O ideal é fazer as camas em locais elevados. Até mesmo redes podem ser usadas para dormir. Isto dificulta o contato do trabalhador com o rato'', orientou.
Agentes de saúde estão percorrendo os municípios de Irati, Guarapuava e União da Vitória os mais atingidos pela hantavirose. As empresas que mantêm operários nas regiões de pinus principalmente empresas terceirizadas de indústrias de papel também estão sendo notificadas e orientadas sobre os cuidados para evitar a doença. ''Quando registramos os 70 casos no ano passado, fizemos uma orientação rigorosa e o número de casos caiu. Nos últimos meses foram registrados diversos casos da doença. As empresas relaxaram. É hora de voltar a exigir os cuidados'', afirmou Sobânia.
A hantavirose é considerada grave porque pode ser confundida com infecção pulmonar aguda. Ela provoca hipertensão e o paciente não sobrevive se não for diagnosticada a doença ainda no início. ''Este paciente com certeza vai ficar internado em UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Ele tem que ser devidamente diagnosticado para não morrer e receber o tratamento adequado'', disse o secretário. Os médicos de postos e hospitais de saúde da região foram todos treinados para diagnosticar rapidamente a hantavirose.


