Com a capacitação ontem de 74 novas pessoas para trabalhar no tratamento de fumantes, a região de Londrina terá 17 grupos de profissionais aptos a ajudar as pessoas a deixarem o vício. Cinco grupos ficarão na cidade e os outros 12 atuarão nos municípios da região.
O curso, ministrado pela equipe da 17 Regional de Saúde, do Centro de Dependência da Nicotina de Londrina e por uma técnica do Instituto Nacional do Câncer (Inca), faz parte do Programa Nacional de Controle do Tabagismo, iniciado em 2001. ''Aqui em Londrina o nosso trabalho começou um pouco antes'', afirma a coordenadora do centro, Madalena Lanssoni. Ela conta que em 1992 foi formada uma comissão que elaborava campanhas contra o tabagismo.
Devido à imensa procura de pessoas que precisavam de ajuda para deixar o vício, a comissão fez uma capacitação em Curitiba e passou, em 1999, a tratar os fumantes da cidade. ''Como éramos apenas em três profissionais ficava difícil atender todos'', lembra Madalena, que espera melhores resultados com um número maior de pessoas trabalhando na reabilitação dos fumantes.
A coordenadora também contou que como o trabalho ficava concentrado na Unidade de Saúde localizada no Centro, muitos pacientes desistiam do tratamento por falta de dinheiro para transporte. Desde 2001, data da instalação do Centro de Dependência em Londrina, cerca de 1,5 mil pessoas procuraram ajuda, mas apenas 500 frequentaram os grupos.
Segundo a técnica do Inca, Mariana Pinho, o trabalho é realizado em grupos e lida com a motivação dos viciados e a mudança de seus comportamentos. Um portaria do Ministério da Saúde também autorizou a utilização de medicamentos no tratamento, mas estes ainda não foram liberados. Dados do instituto apontam que 200 cidades brasileiras já estão aptas a receber e distribuir a medicação.
Contudo, Madalena enfatiza que nem todos receberão os remédios. ''Vamos fazer uma triagem para ver quem necessita da medicação'', explica. O tratamento, feito à base se Brupopiona e repositores de nicotina (adesivos e gomas), é caro. Isso porque 60 comprimidos de brupopiona podem custar mais de R$ 120,00 e a caixa de adesivos, que dura uma semana, custa R$ 50,00.
''O medicamento reduz os sintomas da síndrome de abstinência, mas não muda os comportamentos ligados ao consumo de cigarro'', ressalta Mariana. Por isso, ela defende o tratamento em grupo, que cuida da parte psicológica e ajuda nas mudanças de hábitos. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cinco milhões de pessoas morrem por ano no mundo, em consequência do fumo. Só no Brasil, segundo o Inca, há 30 milhões de tabagistas.

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