A 17ª Regional de Saúde de Londrina vem desenvolvendo um trabalho de orientação junto aos 20 municípios de sua abrangência no sentido de diminuir o número de solicitação de exames laboratoriais. A diretora da 17ª RS, Rosilene Machado afirma que, de acordo com portaria de 1985 do antigo Inamps, apenas 15% das consultas realizadas devem resultar em solicitação de exames. Porém, em qualquer município do Brasil este percentual é de 50%, segundo a diretora.
‘‘O índice de solicitação de exames em todo o País é assombroso’’, afirma. Rosilene Machado diz que a 17ª RS não tem um estudo que indique qual o índice adequado, mas acredita que assim como 15% está fora da realidade atual, 50% é um índice muito elevado. O trabalho da 17ª RS é de orientar os médicos para que façam pedidos de exames com critério.
‘‘O critério é o exame clínico. O profissional tem que ter mais disponibilidade para conversar com o paciente e fazê-lo se sentir seguro mesmo que não seja solicitado nenhum exame, quando não for necessário’’, afirma.
Em Londrina a Secretaria Municipal de Saúde anunciou que são realizados por mês 53 mil exames laboratoriais e que o ideal seria baixar para 40 mil. A diretora-executiva da Secretaria Municipal de Saúde, Renata Cristina Silva Baldo afirma que isto não implica em racionalização dos exames. ‘‘Pedimos aos médicos para que otimizem as solicitações e usem os exames como apoio diagnóstico’’, diz.
O médico Silvio Fernandes, doutorando em Saúde Pública na Universidade de São Paulo (USP) também afirma que o excesso de solicitações de exames é um problema que não se restringe a Londrina. Segundo ele, isso acontece por diversos fatores: a tecnificação do profissional no lugar da relação mais humanizada entre médico e paciente; modelo de saúde pública que privilegia ações curativas e intervencionistas em detrimento da prevenção e promoção da saúde; surgimento de uma grande quantidade de equipamentos modernos com o avanço tecnológico.
‘‘A forma como o sistema de saúde pública está organizado hoje valoriza o exagero de exames laboratoriais e não o exame clínico’’, diz. Fernandes afirma que as consultas hoje são superficiais e que os profissionais substituem muitas vezes os exames clínicos e uma conversa mais prolongada com o paciente por pedidos de exames laboratoriais.
Ele cita também o fato de os pacientes estarem ‘‘culturalmente habituados’’ a pedir que sejam realizados diversos exames para se sentir seguros quanto ao diagnóstico. Se os médicos, segundo ele, tivessem mais preocupação em explicar ao paciente o seu caso, estes ficariam mais tranquilos mesmo se não fosse solicitado nenhum exame.
Silvio Fernandes afirma que hoje há comprovações que o atendimento humanizado reduz o número de solicitações de exames. A socióloga Maria Inez Gomes Dominguez de Oliveira, secretária do Conselho de Saúde da Região Sul (Consul) salienta que o excesso de exames laboratoriais não é responsabilidade do paciente, mas sim da ‘‘falta de qualidade de assistência médica na rede (postos de saúde)’’. Segundo ela, de acordo com pesquisas, 80% dos problemas de saúde poderiam ser resolvidos com um exame clínico criterioso.

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