O Ministério da Saúde está investindo na qualificação dos profissionais que trabalham no Sistema Único de Saúde, porque um atendimento mais acolhedor ajuda não só o tratamento de doenças, mas a intervenção sobre problemas que causam muitas patologias. O assunto foi debatido ontem, em mesa-redonda promovida pelo 4º Congresso Nacional da Rede Unida, que se realiza desde terça-feira e termina hoje, no Hotel Sumatra em Londrina.
Segundo o coordenador de políticas de recursos humanos do Ministério da Saúde, Paulo Seixas, que participou do debate, o atendimento humanizado exige um perfil diferenciado, como a capacidade do trabalho em equipe e em tempo integral. O novo modelo de atendimento, explica, está sendo promovido especialmente pelo Programa Saúde da Família, em implantação em todo o País.
De acordo com Seixas, a formação oferecida pelas escolas de saúde, sempre privilegiou a tecnologia sem valorizar adequadamente o lado humano necessário ao profissional. Por isso a qualificação realizada pelo MS, como afirma, está suprindo falhas contidas nos currículos das escolas de saúde. Seixas lembra ainda que já existem mudanças no conteúdo dos currículos sendo executadas por várias escolas.
O coordenador do MS informou que há incentivos do governo para mudanças na orientação teórica, na abordagem pedagógica e na diversificação de cenários das práticas de ensino. Para ele, a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e as diretrizes curriculares implantadas pelo Ministério da Educação estão sendo a base de orientação para esse processo de humanização na saúde.
Os investimentos do governo federal, de acordo com o coordenador do MS, são de aproximadamente US$ 250 mil. Seixas destaca que os recursos estão sendo utilizados em vários programas, mas destaca a qualificação no nível médio realizado pelo Programa Federal de Auxiliares de Enfermagem (Profae).
Além de Paulo Seixas, participaram do debate da Rede Unida a presidente da Associação Brasileira de Educação Médica, Regina Stella; o representante da Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina, Eduardo Mello; e a coordenadora de apoio dos Projetos UNI, Laura Feuerwerker.
A Rede Unida é uma organização criada há 16 anos com o objetivo de promover uma maior interação entre a comunidade, o ensino universitário, e o serviço público de saúde no Brasil. Ela reúne projetos, instituições de ensino e pesquisa e lideranças comunitárias interessadas na mudança do ensino superior para que formem profissionais mais voltados aos problemas da comunidade em que atuam. O congresso reuniu 478 participantes de 20 Estados brasileiros e oito países de América Latina.

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