Representantes da área de Saúde de Londrina e demais cidades paranaenses corriam ontem contra o tempo, a fim de reverter a situação ruim que prevêem com a aprovação do orçamento que o governo encaminhou para 2003. O motivo são os R$ 258 milhões reservados para a área de Saúde no Estado. Os conselheiros e secretários municipais da área, reunidos ontem em audiência pública na capital, acreditam que, caso aprovada, a previsão orçamentária trará complicações para a manutenção dos hospitais mantidos pelo Estado, como o Hospital Universitário (HU) de Londrina, bem como para programas municipais desenvolvidos em colaboração com o governo estadual.
Hoje, encerra-se o prazo na Assembléia Legislativa para apresentação de emendas ao orçamento. De acordo com Joelma Carvalho, presidente do Conselho de Saúde da Zona Sul de Londrina, dentro dos R$ 639 milhões apresentados pelo governo, apenas R$ 258 milhões vão para a área: ''O resto contempla saneamento básico, ensino superior na área de Saúde, Meio Ambiente, Agricultura e Abastecimento. Não é exatamente o que a lei determina''.
Segundo ela, a Emenda Constitucional 29, homologada em 9 de setembro de 2002, obriga o governo a gastar 10,75% de seu orçamento com a Saúde, ou R$ 573 milhões. Silvio Fernandes, secretário municipal da pasta em Londrina, prevê que os serviços que recebem financiamento do governo estadual possam estar comprometidos. ''A situação vai prejudicar todos os municípios, e também o funcionamento dos hospitais mantidos pelo Estado'', previu.
Caso o orçamento seja refeito e as propostas enviadas pelo Conselho Estadual de Saúde aceitas, o Hospital Universitário de Londrina receberia R$ 23 milhões em investimentos no ano que vem. Segundo o diretor-superintendente do Hospital, Francisco Eugênio Alves de Souza, desse total R$ 15 milhões seriam destinados à construção de uma nova ala de internação para 450 leitos e reforma do pronto-socorro, R$ 5 milhões seriam utilizados na compra de equipamentos e R$ 3 milhões para custeio. ''Nos últimos oito anos, estamos sobrevivendo com recursos próprios e verbas federais'', afirmou o diretor ao citar o apoio do ReforSUS na construção de duas novas alas que estão em fase de conclusão.
A reportagem da Folha tentou entrar em contato com o secretário estadual de Saúde, Luis Carlos Sobaina, mas ele estava em reunião. (Colaborou Betânia Rodrigues)

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