Saúde quer conscientizar estudantes sobre hanseníase
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 19 de agosto de 2014
Paula Barbosa Ocanha<br>Reportagem Local 
Londrina - A hanseníase é uma doença transmissível e crônica que pode se tornar altamente incapacitante se não diagnosticada e tratada precocemente. Neste ano já foram confirmados pelo menos 10 casos em Londrina, sendo que dois foram constatados em pacientes menores de 15 anos. No ano passado foram registrados 38 casos, segundo informações do Grupo Técnico de Hanseníase.
Com objetivo conscientizar e informar estudantes da rede municipal sobre a doença, a Campanha Nacional de Hanseníase foi iniciada ontem no município pela Secretaria de Saúde. A ação será levada a seis escolas até o dia 30 de outubro, atingindo pelo menos 1,7 mil crianças entre 6 e 14 anos, para estimular diagnóstico e tratamento precoces.
Na manhã de ontem os professores da Escola Municipal Professor Carlos Zewe Coimbra, no Jardim Marabá (zona leste), receberam informações e folders, que serão repassados aos 250 alunos da instituição. A enfermeira Juliana Marques, coordenadora de Saúde do Adulto e Idoso, informou que os alunos receberão um folder explicativo para fazer uma autoanálise.
"Eles responderão um questionário junto com os pais, sobre qualquer mancha que têm no corpo. Eles vão anotar se a mancha coça, se é de nascença, a cor dela, e assim, depois dos técnicos da Saúde analisarem os questionários, se existir suspeita da doença a criança é encaminhada para diagnóstico e tratamento", explica Juliana.
A coordenadora regional do Programa de Hanseníase da 17º Regional de Saúde de Londrina, Vanete Moreno, afirma que o maior desafio ainda é o preconceito e o estigma que a doença carrega. "Vemos muitos pacientes que recebem o diagnóstico e escondem da família e dos amigos que estão com hanseníase, por vergonha mesmo. Nosso objetivo é tirar isso, alertar que é importante que as pessoas que tiveram contato também fazerem o teste e prestarem atenção no corpo", ressalta.
O tratamento da hanseníase é feito no Brasil exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). "Mesmo que um médico particular descubra que você tenha a bactéria, ele vai te encaminhar para uma Unidade Básica de Saúde e o tratamento será feito gratuitamente, por um remédio via oral", ensina.
A diretora da escola, Adriana Fátima Gonçalves Machado, acredita que os professores irão trabalhar essa questão do preconceito com os alunos, juntamente com as informações da doença. "Sempre trabalhamos essa questão do bullying na escola, mas queremos mesmo passar esse alerta, e explicar que não é com um contato que você pega hanseníase. Vamos trabalhar essa questão importante com os alunos", conclui.


