Saúde quer combater dengue em crianças
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de novembro de 2008
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
A Prefeitura de Londrina vai treinar médicos, enfermeiros e funcionários que prestam atendimento nas 53 Unidades Básicas do Município (UBS) e no Pronto Atendimento Infantil (PAI) para combater a incidência da dengue, principalmente em crianças. A preocupação é que dos 122 casos registrados este ano, 48 são de crianças. O treinamento começa na segunda-feira e pretende atender 100% dos profissionais, num total de 80 pediatras, além de clínicos gerais e enfermeiros.
Serão nove treinamentos divididos em turmas de 20 pessoas.''Faremos um treinamento mais dinâmico em casos clínicos, até mesmo porque toda a equipe da saúde já foi treinada. Queremos que os médicos estejam mais atentos na hora da consulta, para que ela seja bem conduzida, avaliada e monitorada'', afirma a diretora de Epidemiologia da Secretaria de Saúde, Sônia Fernandes.
Na semana seguinte, de 1 a 12 de dezembro, será a vez de clínicos e enfermeiros que também terão os critérios de consulta relembrados, como sinais de sintoma, de alerta e a conduta a ser tomada para combater a doença. ''Os principais sintomas são febre e prostração muito intensa. Nestes casos, a família deve procurar imediatamente o serviço de saúde.''
Uma das dificuldades é que a doença está circundando a cidade de forma ininterrupta e os focos que estavam concentrados, principalmente nas regiões Leste e Central, se espalharam por toda a cidade, inclusive na Zona Rural. Nos 12 últimos casos registrados, vários bairros foram atingidos. Um deles, no Distrito de Lerrovile.
Até o final do ano, período em que o calor é intenso e as chuvas são constantes, agentes de Saúde farão visitas domiciliares alertando sobre o perigo dos focos. São 35 equipes com um total de 300 pessoas, que diariamente visitam as residências em busca de focos. O último Levantamento de Índice Rápido Amostral (Lira) indicou 0,3% de incidência, mas o número pode ser maior, de acordo com Sônia Fernandes. ''As chuvas e o forte calor são ideais para a proliferação dos focos e esse número pode ter se alterado. O treinamento dos funcionários da Saúde será feito no auditório da Vila da Súde, a partir de segunda-feira.
Atentas
Numa das regiões atingidas pela doença, no Jardim Ideal (Zona Leste), as famílias estão atentas. ''Sempre olho se tem alguma vasilha com água e se tiver, jogo fora. A gente não pode descuidar do quintal'', afirma a catadora de papel Maria do Carmo. Ela tem quatro filhos, de cinco, sete, 11 e 17 anos, e se preocupa muito com a doença. ''Graças a Deus nunca aconteceu com a gente, mas estou sempre atenta. Quando chove já retiro a água que fica nas vasilhas. Qualquer coisa diferente, já levo as crinaças no posto.''
Os mesmos cuidados tem a moradora Maria José de Almeida, de 60 anos. Em 2003, ela viveu um drama, quando duas noras, um filho, uma neta e ela contraíram dengue, durante a epidemia que ocorreu em Londrina. ''Foi muito difícil, assustou todo mundo. A doença é perigosa e a gente sabe que se pegar de novo, pode até morrer.''
Dona Maria conta que fica muito atenta, principalmente com os dois netos menores, de sete e de dez anos. ''Não deixo nada no quintal que junte água. Cuido muito bem de tudo''. O grande problema, segundo ela, é que um vizinho mantém no quintal vários materiais recicláveis, que podem juntar água. ''Às vezes a gente cuida, mas se o vizinho não cuidar também, não resolve''.


