A população de pombas somente no Centro de Londrina já soma 170 mil, revela um relatório concluído pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema). Levando em conta a proliferação dessas aves na periferia, o número total na cidade deve ser bem maior. ''É um quadro mais assustador do que se pensava'', admite a veterinária e assessora de gabinete da Sema, Anne Christina Hiltel.
Assustador, mas previsível. Nenhuma das medidas anunciadas nos últimos anos pelo Município para conter a reprodução das pombas foi colocada em prática. Agora, a prefeitura tenta remediar a consequência mais visível da superpopulação de aves - a imundície resultante das fezes - fazendo a lavagem diária do Calçadão, Bosque e ruas adjacentes. Com isso está criando outro problema sério: a contaminação de recursos hídricos com coliformes fecais (leia mais nessa página).
O levantamento, que terminou em novembro do ano passado e teve ajuda de uma instituição particular de ensino, serviu de base para um relatório concluído pela Sema em março deste ano. O estudo apontou a existência de 170 mil pombas da espécie Zenaida auriculata, vulga amargozinha, que vêm a cidade ao anoitecer e partem quando o dia amanhece. A contagem foi visual, realizada simultaneamente por várias equipes distribuídas pelo Centro. Em outra observação feita em uma rua central, dessa vez à tarde, a Sema contabilizou três mil pombas que vivem em Londrina em tempo integral. Destas, 2,5 mil eram amargozinhas e o restante era da espécie Columba livia ou ''pomba caseira''.
''A Sema está altamente preocupada com essa situação. Essa quantidade de pombas já está desequilibrando o ecossistema e há o problema das doenças que elas podem transmitir. Se a gripe aviária vier, será um caos total'', teme Anne.
Uma cartilha preparada pelo Centro de Controle de Zoonoses de São Paulo adverte que a inalação da poeira resultante das fezes secas de pombas pode provocar doenças como criptococose, histoplasmose e ornitose (confira o quadro), passíveis de atingir estágios graves e até levar à morte. É por isso que se recomenda sempre umedecer as fezes das aves antes de tentar removê-las. Mas quem nunca viu uma pessoa varrendo excrementos de pomba em Londrina?
A assessora da Sema lembra também que o número de pardais diminuiu bastante no município, o que provavelmente teria relação com o aumento das pombas e a decorrente competição por espaço e alimento. A Secretaria admite que seria necessário ''diminuir a população de pombas'' para evitar que a situação se agrave. Entretanto, como as amargozinhas são animais silvestres, a autorização para abate teria que vir do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
''Queremos que o Ibama nos apresente uma solução, seja qual for. Também pedimos que qualquer pessoa que tenha alguma idéia para combater o problema, mesmo que pareça banal, converse conosco'', clama. A chefe regional do Ibama em Londrina, Neuza Maria Emídio, informou que levou o relatório da Sema a Brasília, no último dia 4, mas nem pôde entregá-lo porque os funcionários do órgão entraram em greve.

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