Secretaria estuda a implantação da classificação de risco no PAI, como já é realizado na UPA
Secretaria estuda a implantação da classificação de risco no PAI, como já é realizado na UPA | Foto: Anderson Coelho



Sem condições para pagar um plano de saúde ou consulta particular, muitas pessoas dependem dos serviços públicos de saúde. Para quem tem crianças pequenas, isso pode representar um martírio duplo, já que além de ver o sofrimento delas pela saúde debilitada, precisa enfrentar horas de espera antes do atendimento.

No caso do Pronto-atendimento Infantil (PAI), em Londrina, a situação deve melhorar a partir de junho, quando devem começar a atuar os oito pediatras convocados pela prefeitura. Usuários da unidade, localizada na área central, há tempos vem sofrendo com a carência de mais profissionais. Ao todo, no PAI são realizados 350 atendimentos diários, o que equivale a mais de 23 atendimentos para cada médico a cada seis horas. Criado em 1998, o PAI foi implantado para dar vazão ao atendimento de urgências pediátricas no município e oferece alguns serviços de diagnóstico, como o de radiografia.

A dona de casa Aline Cristina da Cunha é mãe da Gabriela, de sete anos. Ela foi entrevistada enquanto aguardava atendimento no PAI e disse que esteve outras vezes na unidade e a demora é sempre a mesma. "Geralmente fico esperando cinco horas na fila. As crianças ficam inquietas, enjoadas e irritadas, principalmente quando estão com febre", destaca. Desta vez sua filha estava com tosse forte e dores no peito. Quando soube da convocação de oito pediatras aprovados no concurso público da prefeitura, ficou esperançosa. "Acredito que se a prefeitura contratar esses oito pediatras, a situação melhore bastante", afirmou, enquanto aguardava na sala de espera lotada, com mais de 20 crianças.

"O PAI está precisando de mais pediatras. Às vezes tenho sorte de não ter ninguém e sou atendida rapidamente, mas em geral demora bastante. Com duas crianças fica mais difícil ainda. Uma quer colo e a outra fica chorando", expõe a dona de casa Suelen Fernanda de Melo, que estava com os dois filhos, Lorena, de 8 meses, e Laiane, de 1,10 ano.

O secretário municipal de Saúde, Carlos Felippe Marcondes Machado, informa que a equipe de pediatras da prefeitura é composta por 22 profissionais. Segundo ele, o número ideal seria pouco mais de 30 médicos para ter a escala completa, inclusive nos períodos em que houvesse necessidade de suprir a licença. "Isso possibilitaria que no período de férias não se sentisse a ausência desses profissionais", observa. Atualmente a escala prevê a divisão de um dia de trabalho em quatro turnos, com quatro médicos em cada equipe, com exceção do turno da 1 às 7 horas, que é constituída por três médicos.

Sobre a convocação dos oito pediatras, os profissionais que não compareceram até o dia 11 na secretaria, serão automaticamente desclassificados do concurso público. "Essa recomposição é importante porque a partir de agora haverá mudanças bruscas na temperatura e consequentemente haverá aumento da procura por atendimento na unidade. Esperamos que até o dia 1 de junho os novos pediatras já estejam contratados", destaca, informando que com a contratação será possível recompor a escala, pois cada profissional deverá realizar 96 horas de plantão ao mês.

Sobre a espera de cinco horas no PAI, ele afirma que o protocolo do Ministério da Saúde admite até 240 minutos (quatro horas) e que a contratação de mais profissionais permitirá que se atinja esse índice. "Também estamos estudando a implantação da classificação de risco no PAI aos moldes do que já é adotado nas Unidades de Pronto-Atendimento, em que os casos mais graves serão priorizados", aponta.

O secretário concorda que um dos grandes desafios será a manutenção desses profissionais no cargo, já que nos últimos anos há muitos pedidos de exoneração da função. "Muitos deles encontram uma atividade mais vantajosa e acabam mudando de emprego", destaca.

REMUNERAÇÃO JUSTA
O diretor de defesa profissional da Sociedade Brasileira de Pediatria, Milton Macedo de Jesus, afirma que não há falta de profissionais na área. "O que falta é uma remuneração justa e reconhecimento tanto por operadoras de planos de saúde como por gestores do serviço público. Isso é associado à falta de boas condições de trabalho", destaca.

Ele aponta que a remuneração do pediatra é a mais baixa em comparação com outras especialidades, por falta de visão dos gestores e de orçamento. "Isso vem ocorrendo há muitos anos. Estou formado há 40 anos e essa realidade não muda", aponta. Segundo ele, não é raro, por exemplo, encontrar um médico que mora em Londrina e trabalha em Sertanópolis, porque a remuneração naquele município é melhor. "Mas muitas cidades menores nem têm pediatras, porque há falta de condições de trabalho e o estresse das falhas do serviço público recai sobre o profissional. Para realizar um bom trabalho não pode ter só o pediatra, mas é preciso ter fisioterapeuta, psicólogo, fonoaudiólogo, etc. Enfim, o trabalho envolve toda a equipe que atende a criança", explica.

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