Valdirene Souza: "As impossibilidades que o sobrepeso gera são o pior; você não consegue andar, não consegue ficar de pé"
Valdirene Souza: "As impossibilidades que o sobrepeso gera são o pior; você não consegue andar, não consegue ficar de pé" | Foto: Fotos: Anderson Coelho



Cerca de 80 pacientes da Santa Casa de Londrina candidatos à cirurgia bariátrica foram na tarde de quarta-feira(9) ao Ginásio de Esportes do Colégio Mãe de Deus (área central) para assistir palestras que ajudam a tirar dúvidas antes do procedimento. Uma das pessoas que esteve lá é a encarregada de delivery Valdirene Alice de Souza, 35. Ela buscou informações com médicos conhecidos e depois de passar por várias consultas decidiu que esta era a melhor opção para a sua situação. "Tenho 1,50m de altura e peso 100 kg, mas o meu ideal é pesar de 55 a 60 kg. A estética é uma das coisas que menos conta na minha decisão. O pior são os problemas na circulação, o inchaço, o desgaste dos ossos e das juntas", apontou. "Essas impossibilidades que esse sobrepeso gera são o pior. Você não consegue andar, não consegue ficar de pé e se ficar muito tempo sentado você incha", acrescentou.

Segundo ela, o objetivo é a melhoria da qualidade de vida. "A minha rotina vai mudar e a vida vai melhorar. A pessoa tem que ter a consciência de que é preciso disciplina. O paciente deve ter essa consciência antes mesmo de se submeter ao processo, porque é uma mudança de vida agressiva. Essa mudança de hábito alimentar vem gradativamente para muitos pacientes, porque os que sofrem com peso já vêm fazendo dieta há tempos", afirma. Ela disse que a motivação foi a saúde e a questão estética será consequência. "É o ponto favorável que está por vir depois", concluiu.

A dona de casa Maila Cristina Almeida da Silva, 30, possui 1,65m e está com 130 kg. "Quero chegar a 70 kg", explicou, revelando que começou a ganhar peso com 15 anos. "Tive depressão aos 15 anos e comecei a engordar. Depois que engravidei foi pior. Já fui em nutricionista, endocrinologista e tentei todo tipo de regime e dieta e não consegui emagrecer. Há quatro anos dei entrada no processo para fazer cirurgia bariátrica", relatou.

Maila Cristina Almeida da Silva deu entrada no processo para realizar a cirurgia há quatro anos
Maila Cristina Almeida da Silva deu entrada no processo para realizar a cirurgia há quatro anos



Silva contou sobre um episódio que marcou muito. Um dia, ao embarcar no ônibus para trabalhar, ficou presa na roleta. "Todo mundo do ônibus ficou dando risada. Falei com o cobrador e ele disse que tinha gente maior do que eu que passava e que eu tinha de passar. Aquilo doeu. Não pego mais ônibus, não saio de casa", lamentou.

Ela relatou que quando emagrecer quer entrar em lojas de roupas sem que ninguém fique medindo. "É difícil achar roupas, achar sapatos, achar lingerie. Vou nas lojas e não acho do meu tamanho e dos modelos que gosto. Tenho 30 anos e só acho coisas de idoso", disse. A dona de casa decidiu fazer a bariátrica após tentativas frustradas para emagrecer – com exercícios e dietas. "A pressão começou a aumentar e decidi fazer a cirurgia. Não tenho medo. Só espero que depois disso tudo mude a minha qualidade de vida." Ela participou da reunião e disse que ainda possui algumas dúvidas em relação ao tempo de recuperação, já que não quer perder o emprego.

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