Saúde propõe parceria para baixar preço de remédio usado por renais
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terça-feira, 02 de dezembro de 1997
Célia Baroni 
Londrina
A Secretaria de Estado da Saúde se colocou à disposição das instituições que fazem transplantes de rim e associações que defendem os direitos dos renais crônicos. Propõe uma parceria para negociar a redução do preço do OKT3 junto aos fornecedores. O medicamento é usado em casos de intercorrências (rejeição) pós-transplante de rins.
A iniciativa é do diretor dos Órgãos Produtores de Serviços e Insumos da Secretaria Estadual de Saúde, Micheli Caputo Neto. Ele defende a importância de juntar forças para resolver o problema que dificulta o acesso ao medicamento. Em entrevista divulgada no último dia 28, na Folha, o diretor do Instituto do Rim de Londrina, Altair Mucelin, afirmou que o preço do OKT3, no mercado, é de cerca de R$ 900,00 a ampola. Caputo Neto informou ontem que o Estado compra o medicamento a R$ 780,00 a ampola.
O governo estadual não é responsável pelo fornecimento do OKT3, mas está solidário ao problema, disse. Caputo Neto esclareceu que o governo do Estado compra o OKT3 para fornecer a pacientes com problemas não cobertos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Em casos de emergência, estamos dispostos a fornecer o medicamento também para quem sofreu transplante de rim. Mas não temos recursos para arcar com a demanda total porque precisamos priorizar outros pacientes, defende.
Segundo ele, o Estado gasta mais de R$ 12 milhões por ano em medicamentos de alto custo para atender 4 mil pacientes, inclusive renais crônicos. Caputo Neto frisa que as instituições que fazem transplante de rins têm o respaldo da Portaria 207/96 do Ministério da Saúde que permite o faturamento para o SUS de até 10 ampolas de OKT3 para o Sistema Único de Saúde (SUS). O problema, acredita, é que o SUS paga apenas R$ 562,60 por ampola, e a diferença tem de ser absorvida pelo hospital ou paciente.
Caputo Neto diz ter ficado surpreso com a crítica feita pela Associação dos Renais Crônicos de Londrina e pelo Médico Altair Mucelin: A solução é negociar com os fabricantes e pressionar o Ministério da Saúde para rever os valores. Não criticar o Estado. Temos de ser parceiros nesta luta. Segundo ele, com o fim da Central de Medicamentos (Ceme), a distribuição de medicamentos ficou confusa, criando sérios problemas em todo o País. A falta da predinizona - utilizado no tratamento dos renais crônicos -, diz, é um dos reflexos da confusão.
O pedido para enquadramento no programa nacional foi encaminhado no início do ano. Como o envio do medicamento sempre ocorreu por lotes, não estranhamos quando recebemos menos de 10% do pedido, conta. Para solucionar o problema o Estado está arcando com a compra do medicamento.
Ele informou que já foi feita a tomada de preço para compra de 258 mil predinizonas e anunciou que o medicamento à base de eretropoietina, usado para estimular a produção de glóbulos vermelhos, estará disponível nesta semana.


