A reforma e a ampliação de parte do Hospital Universitário de Londrina (HU) está na dependência da liberação de R$ 1 milhão que a Secretaria Estadual de Saúde garante para o final deste ano. O dinheiro foi prometido pelo governador Jaimer Lerner há dois anos, às vésperas de sua reeleição. O hospital enfrenta problemas sérios de superlotação e, há alguns anos, vem tentando conseguir verbas dos governos estadual e federal para aumentar número de leitos e adequar a sua estrutura à legislação do Ministério da Sa© úde.
Segundo o superintendente do HU, Claudio Camacho, a prioridade será a reforma e ampliação do prédio onde atualmente funciona a maternidade, Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal, lactário e unidade de internação feminina.
O objetivo é transferir todas as alas de internação do hospital para este prédio aumentando o número de leitos de 290 para 450. A obra está orçada em R$ 10,5 milhões. Além da verba do Estado, Camacho afirmou que está tentando conseguir o restante junto ao governo federal. Foram feitos vários contatos mas até o final da semana passada o governo federal não tinha acenado com nenhuma proposta de liberação de verba.
‘‘O que poderemos fazer é realizar a reforma em etapas, conforme a verba for liberada’’, disse Camacho. Em 1997 um projeto orçado em mais de R$ 30 milhões, com recursos do governo estadual e federal, previa uma reforma geral no hospital. Como o dinheiro não saiu, em 1999 outro projeto foi feito visando melhorar somente o setor de internação do hospital.
Segundo Camacho, optou-se por priorizar este setor devido à grande demanda de Londrina e região: 1.100 internações por mês. ‘‘Estamos com solicitações de internamento de Rolândia, Porecatu e Paranavaí e não podemos atender’’, afirmou. A falta de leitos para internamento faz com que rotineiramente haja pacientes internados em macas e até cadeiras no pronto-socorro (PS).
‘‘Temos 36 leitos no PS e já chegamos a ter 81 pacientes internados lá sem condições de transferir para a ala de internação por falta de leitos’’, disse Camacho. O superintendente explicou que esta situação provoca problemas na qualidade do atendimento e estresse nos profissionais. ‘‘Alguns, devido à pressão, acabam com problemas sérios de saúde’’, alertou.
Além da grande quantidade de atendimentos e procedimentos (600 cirurgias/mês, 17 mil pacientes no PS e ambulatório/mês) outro fator que exige urgência na reforma é a infra-estrutura do prédio. Criado como hospital geral em 1971 – na Rua Pernambuco –, o HU foi transferido em 1975 para o atual endereço – Avenida Roberto Koch – onde antes funcionava um sanatório para tratamento de tuberculosos.
Camacho explicou que a estrutura exigida pela legislação do Ministério da Saúde (MS) para um hospital geral é completamente diferente da de um sanatório, o que dificulta o dia-a-dia do hospital. Ele citou como exemplo os banheiros coletivos distantes das enfermarias – pacientes com dificuldades de locomoção precisam transitar pelos corredores para ir ao banheiro – , enfermarias com seis leitos – não há enfermarias menores para doentes que precisam de isolamento, procedimento comum em hospitais gerais.
Desde sexta-feira, a Folha procurou o secretário de Saúde Armando Raggio para falar sobre o assunto mas não obteve retorno.

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