Saúde procura Aedes no Parque de Exposição
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quarta-feira, 26 de março de 2003
Giovana Kindlein<br> Reportagem Local 
A Vigilância Epidemiológica inicia hoje uma operação pente-fino para verificar a presença de criadouros do mosquito Aedes aegypti (transmissor da dengue) no Parque de Exposições Ney Braga, que será palco da 43 Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina. O evento começa na semana que vem e deve reunir mais de 800 mil pessoas. Como medida de prevenção, amanhã e depois será feito o fumacê (aplicação de veneno) em todo o parque. A epidemia de dengue registrou até agora um total de 1.157 casos confirmados da doença em Londrina. A Secretaria de Saúde investiga um caso suspeito de dengue hemorrágica no Hospital Universitário.
Enquanto isso, nas 51 Unidades Básicas de Saúde (UBS), uma cena tem se tornado comum. A mãe desesperada cobra do médico, em alto e bom som, porque ele não pede um exame de sangue para sua filha ou filho que, naquele momento, arde em febre, com suspeita de ter contraído dengue. A confusão está formada.
O médico tenta explicar, em vão, que no início da doença não é necessário fazer esse tipo de exame, e sim, outros dois: a prova do laço (teste que verifica a existência de exantemas, aqueles pontinhos vermelhos na pele) e a observação da pressão arterial (dengue faz baixar muito a pressão).
Esclarecimentos e orientações no tratamento da dengue foram apresentadas pela médica sanitarista carioca Joelma Teixeira Borian, do setor de Vigilância Epidemiológica, da Secretaria Municipal de Saúde, para mais de 300 médicos de Londrina e região. Ela é uma das monitoras do Ministério da Saúde para capacitação de profissionais médicos no diagnóstico e tratamento da dengue.
É importante, segundo ela, ao surgirem os primeiros sintomas, procurar imediatamente um médico. Os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) devem se dirigir à unidade de saúde mais próxima de sua casa. Já as pessoas que possuem planos de saúde podem procurar um clínico geral ou infectologista de sua preferência. ''Embora a doença seja benigna, pode ser letal em alguns casos'', advertiu a sanitarista.
Uma febre alta de 39 a 40 graus aparece repentinamente e de forma abrupta. Uma dor nos fundos dos olhos dá a impressão de que eles vão saltar para fora. A cabeça também dói. Para completar, uma dor ''quebra-ossos'' toma conta de todo o corpo. ''A sensação é de que um caminhão passou em cima de você'', comenta Joelma. Parece gripe, mas não é. A probabilidade de que esta pessoa tenha sido infectada pelo vírus da dengue é quase 100% acertada.
Antes que as dúvidas aumentem, a médica indica o que fazer quando dois ou mais sintomas, citados acima, aparecerem. ''O profissional da UBS deve examinar, fazer a prova do laço, verificar a pressão arterial e dar o encaminhamento necessário'', explica. Já o hemograma (exame de sangue) no início da doença, complementa ela, será pedido somente para idosos acima de 65 anos, crianças menores de um ano, gestantes e pessoas que tiverem doença crônica (hipertensos, diabéticos e renais crônicos, entre outros). ''Isto serve para avaliar o quadro geral do paciente'', salienta.
Entretanto, se a pessoa estiver com os sintomas e surgirem complicações, normalmente entre o terceiro e quinto dia, a doença poderá estar evoluindo para uma forma mais grave. ''É preciso estar atento aos sinais de alerta'', observa a médica. Estes sinais são: dor abdominal intensa, vômitos que não param, sangramentos importantes, hipotensão arterial (sensação de tontura e desmaio), diminuição da diurese (muito tempo sem urinar) e pele fria. ''Nesta situação, retorne urgentemente ao médico'', alerta Joelma.
Por outro lado, se os sintomas permanecerem na dor de cabeça, nos olhos e no corpo, segundo a sanitarista, o tratamento dado pelo médico é feito em casa. ''A hidratação deve ser rigorosa'', afirma Joelma. Para se ter uma idéia, uma pessoa de 70 quilos deve tomar 6 litros de líquido por dia 2 litros de soro oral, adquirido na unidade de saúde ou comprado em farmácia, e 4 litros de soro caseiro, que pode ser água, suco de frutas, água de coco e chá. Depois disso, o retorno ao médico acontece no oitavo dia para colher o sangue para o hemograma, que identificará, com precisão, a doença. ''Dengue precisa ser acompanhada'', conclui a médica.
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