Saúde preconiza prato colorido
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sexta-feira, 02 de outubro de 2009
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
O consumo de frutas e hortaliças no Brasil é apenas um terço do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que seria de 400 gramas por dia. Além disso, avaliação feita pelo Ministério da Saúde em 14 mil crianças entre 2 e 5 anos atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), no ano passado, aponta que apenas 25,2% delas consomem frutas entre cinco e sete vezes por semana. Por outro lado, o consumo diário de bebidas adicionadas de mel, açúcar ou rapadura corresponde a 47,9% nessa faixa etária.
A situação é ainda mais grave quando crianças entre 5 e 10 anos começam a decidir o que gostariam de comer. De um total de 15 mil crianças entrevistadas nessa faixa etária, 38,3% informaram consumir frutas diariamente. Enquanto 26,6% afirmaram que balas, biscoitos recheados, chocolates e outros doces fazem parte das suas dietas entre cinco e sete vezes na semana.
Alimentação saudável e balanceada requer, no mínimo, cinco porções diárias de verduras, legumes e frutas, como aponta a nutricionista Valéria Arruda Mortara. Segundo ela, uma porção equivale a uma xícara de chá cheia desses alimentos. ''Só essas cinco porções já contêm fibras, sais minerais e vitaminas suficientes para melhorar bastante a saúde de qualquer indivíduo. É uma atitude fácil e simples, que produz grandes resultados.''
Valéria lembra que no passado as pessoas comiam muito mais do que cinco porções de vegetais sem se dar conta. ''Não se comia fruta no café da manhã, mas era costume chupar uma laranja depois do almoço. E tanto de dia quanto de noite o prato sempre tinha uma salada e um legume refogado'', recorda.
''Se organizar, ter alimentos frescos já lavados na geladeira, aproveitar a modernidade para comprar verduras e legumes já cortados e limpos ou congelados, de fácil preparo, são dicas que facilitam a introdução destes alimentos nas refeições diárias'', ensina a nutricionista, para quem a forma mais balanceada - e menos calórica - de combinar esses alimentos é comer duas porções de frutas e três de hortaliças no dia.
Insistência
Para convencer a criançada a se alimentar de forma saudável, ela sugere a insistência: ''Apresente o alimento várias vezes e não recompense a criança com produtos industrializados. Mostre que o alimento é gostoso e tenha paciência''.
Ela propõe ainda que os pais observem as texturas que os filhos mais gostam. ''Crianças não gostam muito de molhos e cremes, que agradam mais o paladar adulto. Elas preferem alimentos mais duros e crocantes'', descreve Valéria, recomendando às famílias uma ida à feira: ''Não para comer pastel, mas para que as crianças conheçam os diferentes tipos de alimentos frescos''.
Brincar com os alimentos, ajudar o filho a escolher a salada que mais gosta e delimitar espaços no prato para o arroz, o feijão, a carne e a verdura também são saídas inteligentes para uma alimentação correta. ''Se a criança não quiser comer a verdura, que fique sem comer, o importante é não compensar colocando mais arroz, feijão ou carne no lugar do verde.''
Conforme Valéria, o paladar muda conforme o tempo: ''A língua vai ficando inteligente. É natural não gostar de algo quando criança e passar a gostar quando se é mais velho. É importante respeitar essas limitações'', diz a nutricionista, assinalando que educação alimentar requer tempo e atenção.
''Se para crianças a saída é o lúdico, para os adultos, a informação faz toda a diferença. Eles se educam com resultados'', conclui Valéria, para quem a educação alimentar deve ser uma opção de vida do indivíduo.


