Curitiba - Clínicas de podologia que não se adequarem às novas regras definidas pela Secretaria de Estado da Saúde poderão ser punidas a partir de 19 de junho. A resolução 204/2009 dispõe sobre as condições para instalação e funcionamento desses estabelecimentos, para liberação de licença sanitária e penalidades ao seu descumprimento. Segundo a técnica da Vigilância Sanitária Estadual Maria Luiza Minuzzi, a medida não tem objetivo de punir os estabelecimentos, mas orientá-los a preservar a saúde da população. Entre as normas, está a obrigatoriedade do diploma de ensino médio profissionalizante, registrado pelo Ministério da Educação, para os podólogos. Para a proprietária do Espaço do Pé, Kátia Regina Gonçalves, a maioria das clínicas já está adaptada nesse sentido. "Temos cinco profissionais, todas diplomadas pelo Senac. Mas, por aí tem muita profissional das antigas que aprendeu na prática".
Para a pensionista Maria José Vilhena, 72 anos, conta mais conhecer o profissional e a clínica do que um diploma. "Eu frequento uma clínica há 10 anos e confio em quem me atende. É melhor do que um recém-formado que não tem a prática e a vivência", diz. Ela defende que fiscalizações devem ser intensas, "porque tem muito lugar que não dá para confiar".
Outro item da resolução prevê que a aplicação de produtos tópicos, aqueles usados sobre a pele, só pode ser feita mediante prescrição médica por escrito. Para Maria José, a medida pode atrapalhar seu tratamento. "Minha podóloga receitou um produto manipulado que me faz muito bem". Solange Marques Souza, dona da clínica Pé e Companhia, conta que os produtos mais utilizados são água, sabão e desinfetante. "No máximo, usamos um produto natural, como própolis. Mas, se percebemos um problema de pele, como uma micose, encaminhamos para um médico", conta. Um de seus pacientes, Arthur Meyer, 28 anos, garante que, em quatro anos, nunca viu a profissional utilizar qualquer tipo de medicamento.
Segundo Solange, o trabalho do podólogo está ligado à prevenção. "Atendemos muitos pacientes diabéticos, por exemplo. Para eles, que muitas vezes perdem a sensibilidade nos pés, esse cuidado é ainda mais importante."
A nova legislação foi elaborada por uma câmara técnica multidisciplinar e coordenada pelo Departamento de Vigilância Sanitária da Secretaria da Saúde. As inspeções e fiscalizações ficarão a cargo das Vigilâncias Sanitárias Municipais. Segundo Maria Luiza, também consta na resolução um roteiro de com os itens a serem inspecionados pelos agentes das vigilâncias sanitárias.

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