Saúde orienta turistas sobre vacina contra febre amarela
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quarta-feira, 08 de janeiro de 2003
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
A Secretaria Municipal de Saúde está orientando as agências de turismo de Londrina para que recomendem a seus clientes a vacinação contra a febre amarela. Segundo a diretora executiva da secretaria, Margaret Schimiti, o procedimento é padrão nesta época do ano e tem início no mês de novembro, quando a temporada de viagens começa a aquecer. ''É apenas uma lembrança. Nos últimos anos, o turismo ecológico cresceu muito e a febre amarela pode ser um problema para quem visita regiões silvestres'', explica.
O vírus da febre amarela silvestre é transmitido através da picada de mosquitos de gêneros como Haemagogus e Sabethes, que picam animais que vivem em matas, como macacos - que funcionam como hospedeiros. A transmissão em áreas urbanas é feita através do Aedes aegypti, o popular mosquito da dengue, que ao adquirir o vírus ao picar uma pessoa contaminada na forma silvestre da doença, pode transmiti-lo a outros seres humanos que não tenham sido vacinados.
Casos de febre amarela urbana não são registrados no Brasil desde 1942. Entretanto, em sua forma silvestre, a doença apresentou 371 registros no País entre 1992 e 2001, o que ocasionou a morte de 156 pessoas. As regiões mais propensas à transmissão da febre amarela são a Centro-Oeste, Norte e Nordeste. No Paraná, não existem registros de febre amarela silvestre desde 1966. A vacinação tem validade de dez anos e pode ser feita gratuitamente nos postos de saúde de Londrina.
Mesmo assim, segundo o presidente do Sindicato dos Guias Turísticos do Interior do Paraná, Newton Eskelfen Felício, muitas agências de turismo na cidade não recomendam a vacinação aos clientes que viajam para regiões de risco. ''Já ouvi da boca de um agente que avisar sobre a vacina ou exigi-la é incomodar o cliente, não é importante'', critica ele, relembrando que em muitas regiões de fronteira, como na Bolívia ou mesmo no Mato Grosso do Sul, existe fiscalização que exige a carteira nacional (ou internacional, no caso de viagens ao exterior) comprovando a vacinação contra a doença.
Outra questão importante é que a vacina deve ser aplicada pelo menos dez dias antes da viagem, já que demora a fazer efeito. O guia Ricardo Okada, da Continental Tour, afirma que cobra dos turistas a vacinação. ''É uma responsabilidade grande. Quando um cliente é autuado num local da fiscalização, a culpa recai sobre o guia. Em Londrina, muitas das agências esquecem de recomendar (a vacina)'', explica.
Okada calcula que viaja para locais com suspeita de serem focos de febre amarela silvestre pelo menos dez vezes por ano - pontos turísticos badalados como Bonito (MS), o Pantanal e a Pousada do Rio Quente, em Goiás. ''Trabalho muito com gente da terceira idade, então, eles próprios se preocupam em se vacinar'', diz o guia.


