O serviço público de saúde no Paraná está mobilizado esta semana em atividades de orientação para os riscos representados pela gravidez na adolescência. A programação é coordenada por Comitês Regionais de Mortalidade Materna, e antecede o Dia Estadual de Prevenção da Mortalidade Materna – 28 de maio. Estatísticas indicam o crescimento do número de adolescentes que engravidam, sem estar psicológica e fisicamente preparadas para a gestação e parto e para exercer a condição de mãe.
Nas principais cidades, professores e coordenadores de escolas, enfermeiros e outros profissionais da área de saúde receberam treinamento, nos últimos dias, para atuar com adolescentes, procurando prevenir a gravidez indesejada. Também foram realizadas oficinas de sensibilização, capacitando profissionais para serem multiplicadores de informações em escolas e postos de saúde. As atividades envolvem também regionais de saúde e educação e secretarias municipais.
Em Cascavel, segundo a enfermeira Marisa Tomazoni, da 10ª Regional de Saúde, até quinta-feira haverá programação nas unidades de Saúde, com orientações a jovens que procuram atendimento. Sexta-feira haverá programação concentrada em escolas de ensino médio, com palestras de ginecologistas, obstetras, enfermeiras e pedagogos, e debates com estudantes. As escolas realizarão os encontros mesmo se os professores estaduais estiverem em greve.
Os casos de gravidez na adolescência (faixa de 10 a 19 anos) crescem a cada ano, representando risco à saúde. No caso de estudantes, geralmente resulta no abandono da escola. No Brasil, segundo a Organização Mundial de Saúde, a média de casos de gravidez precoce é de 25,8%. No Norte do País, o índice sobe para 32,4%. No Paraná, o último levantamento disponível mostra crescimento no número de casos, passando de 19,8% em 94 para 22,8% em 98.
O percentual refere-se a 41.687 grávidas com idade de 15 a 19 anos e 1,6 mil com menos de 14 anos. No Estado, 13% das mortes por complicações na gravidez, parto e puerpério (período até 42 dias após o parto) ocorreram entre adolescentes, sendo a terceira causa de mortes neste grupo. No âmbito da 10ª Regional de Saúde de Cascavel, com 23 municípios, no ano passado havia 1.832 adolescentes grávidas – 1.042, em Cascavel.
No âmbito da 20ª Regional de Saúde de Toledo que abrange 18 municípios, em 97 o índice de adolescentes era 20,2% entre as mulheres grávidas – com 48 casos na faixa etária dos 10 aos 14 anos e 1.210 entre 14 e 19 anos; em 98, subiu para 21%.

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