Saúde nega que culpa seja da vacina
Mauro FrassonEliane Maluf vai pedir comprovação do Instituto Adolfo LutzDesde que a Campanha contra o Sarampo foi deflagrada na Grande Curitiba, em 24 de outubro, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) contabilizou 717 casos de reações adversas ao medicamento, aplicado na população de 15 a 39 anos de idade. Destes, 578 são de Curitiba. O caso mais comum é a paroditidite (caxumbinha), que representa 56% das notificações oficiais. Nove casos de meningite também foram contabilizados na capital, mas acredita-se que a quantidade de pessoas com a doença seja muito maior. Só no Hospital Evangélico teriam sido atendidos 30 pacientes com meningite.
É o caso de Melissa Soares, que está em coma no Hospital Nossa Senhora das Graças. Mas a diretora do Centro de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde, Eliane Maluf, não acredita que o estado de saúde da menina tenha sido provocado pela vacina. Ela decidiu enviar amostras de sangue e do líquido da espinha dorsal da garota para análise no Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, para provar seu ponto de vista. Tivemos nove casos de meningite, benigna, sem gravidade, em proporções muito menores a este caso, que nem está listado nas nossas estatísticas.
Até anteontem, a Sesa registrou ainda cinco casos de reações em Almirante Tamandaré, 31 em Araucária, cinco em Campo Largo, um em Campo Magro, três em Fazenda Rio Grande, 11 em São José dos Pinahis, 15 em Pinhais e 68 em Colombo. De acordo com a diretora do Centro de Epidemiologia da Sesa, Maria Angélica Curia Cerveira, o número de casos é considerado normal. A literatura médica mostra que a ocorrência de reações pode se dar entre 0,4% e 5% das pessoas imunizadas. Se considerarmos os 717 casos notificados, vemos que as reações atingiram apenas 0,08% da população, índice considerado baixo, lembrou.
Maria Angélica também discorda da desconfiança de algumas pessoas quanto a qualidade da vacina usada na campanha. Ela explicou que as vacinas usadas pelo Ministério da Saúde são normalmente importadas. No caso da tríplice, o medicamento veio da Índia. Além de passar por processos de qualidade nos países de origem, o produto, no Brasil, passa por baterias de exames no Instituo Nacional de Controle de Qualidade, para depois ser liberado. (A.R./G.V.)





