Saúde municipaliza serviço e reduz pacientes
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quinta-feira, 22 de abril de 2004
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Cerca de dois mil dos mais de 2,7 mil portadores de necessidades especiais de Londrina e região em tratamento odontológico no Centro de Saúde Especial Barbara Daher (Zona Oeste Londrina), mantido pela organização não-governamental (ONG) Gepexcel, tiveram uma má notícia ontem. Eles poderão ficar sem atendimento especializado já que a secretaria de Saúde de Londrina municipalizou o serviço. Dentro de alguns dias, os cerca de 800 pacientes londrinenses passarão a ser atendidos na unidade de saúde do Conjunto Chefe Newton (Zona Norte) mas os das outras 130 cidades da região que eram assistidos pela ONG não serão absorvidos pelo município.
Conforme reportagem veiculada pela Folha na semana passada, o Centro Especial Barbara Daher, que completou 15 anos anteontem, passa por dificuldades financeiras e pode encerrar suas atividades. Em dezembro do ano passado, a entidade não teria conseguido renovar convênio com a secretaria municipal de Ação Social e teve cortado o repasse mensal de R$ 2.100 usados para pagamento de pessoal e passou a ter problemas de caixa. O repasse mensal de R$ 1 mil do Sistema Único de Saúde (SUS), segundo a direção da ONG, não estariam sendo suficientes. Com a municipalização, a entidade também poderá perder essa verba.
O secretário municipal de Saúde, Silvio Fernandes, informou que o atendimento deve ter início assim que a ONG fornecer os cadastros dos pacientes londrinenses. O pedido foi feito no último dia 16 mas, segundo o secretário, até ontem a direção da entidade ainda não havia repassado os dados. ''Nosso compromisso é atender os pacientes de Londrina. No momento, não estamos assumindo o compromisso com a população da região'', destacou. Ele afirmou, porém, que caso os pacientes de cidades vizinhas tenham dificuldades em continuar o atendimento, ''a secretaria poderá estudar alguma forma de contribuição''.
Segundo Fernandes, o município tem condições de melhorar os serviços oferecidos e até ampliar o atendimento. ''Os procedimentos que necessitarem de anestesia geral, que não eram feitos, agora poderão ser realizados em hospitais conveniados ao SUS'', exemplificou. O secretário destacou que dentro de aproximadamente cinco meses os pacientes passarão a ser atendidos no Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), que funcionará onde hoje está situado o Centro de Saúde José Belinati (Área Central).
A presidente da Gepexcel, a dentista Martha Beatriz, declarou que ''foi surpreendida com a decisão da Secretaria''. Ela comentou que havia uma reunião agendada para a última terça-feira mas que foi cancelada pela secretaria. A dentista confirmou que o secretário pediu uma lista com os pacientes de Londrina mas, como não informou os motivos, os dados não foram repassados. Beatriz garantiu que o Centro oferece anestesiologistas. Ela manifestou preocupação com a municipalização do serviço, uma vez que o tratamento é feito por profissionais especializados no atendimento a portadores de deficiências.


