Saúde mental é tema de debates
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - No Dia Nacional da Luta Antimanicomial, profissionais e usuários dos serviços de saúde mental se reuniram em Curitiba para debater o assunto. Segundo o movimento Coletivo da Luta Antimanicomial do Paraná, apesar de o Estado ter avançado nos últimos anos na desconstrução da lógica manicominal, ainda resistem instituições desse modelo.
O movimento defende um modelo em que o usuário de saúde mental faça seu tratamento inserido na sociedade. Para muitos, não é trabalhada a possibilidade de cura, mas sim de qualidade de vida, conseguida pela convivência com a família e comunidade. "Andamos bastante na perspectiva de criarmos modelos substitutivos. Mas precisamos avançar", diz Dione Maria Menz, psicóloga e enfermeira integrante do Coletivo da Luta Antimanicomial. O Estado tem apenas dois Centro de Atendimento Psicossocial (Caps) 3, com opção de internamentos temporários, ambos no Interior. Ao todo, são 84 Caps em todo o Paraná. Além deles, as residências terapêuticas, para egressos de hospitais psiquiátricos, também são um modelo dentro do ideal da luta antimanicomial.
O movimento estima que 2,8 mil pessoas ainda sejam atendidas em regime manicomial. Alaide Antonio de Jesus, 41 anos, foi internada três vezes. Na recordação ficou a comida desagradável, o banho gelado às 6 horas da manhã e o isolamento. Visita da família apenas uma vez por semana. Há três anos ela trata o distúrbio bipolar em um Caps e conta que já sente diferença no relacionamento com outras pessoas. "Antes não gostava de conversar com ninguém. Agora gosto. Levo minha neta na creche todo dia e pego dois ônibus, antes não conseguia", diz.


