‘‘Seja bem-vindo lelê, seja bem-vindo lalá, paz e bem para você, que veio participar. Todo mundo vai ter que entrar na roda da terapia. E desce como um galho velho e quebrado e sobe como um galho novo.’’ Estas palavras, cantadas ao som de atabaque, violões, pandeiro, triângulo e sanfona, dão início às rodas de terapia comunitária em Novo Itacolomi.
  Depois que cada um conta o que lhes tira o sono, começa a cantoria para espantar as lágrimas insistentes. E depois do arrastapé, um canto de despedida estimula o grupo a voltar para casa mais leve, para seguir a rotina com mais tranquilidade.
  Foi da simples roda que surgiu a musicalização e a terapia em domicílio para acamados, organizadas pela equipe da Saúde da Família do município. Ao todo, já são 17 rodas que atendem a cidade com pouco mais de dois mil habitantes. Segundo a coordenadora municipal de Saúde Mental e terapeuta comunitária, Ana Paula dos Santos, transtornos emocionais atingem 5% da população e a meta da terapia comunitária é justamente diminuir a distribuição de remédios para depressão no posto de saúde.
  Londrina é referência em terapia comunitária no País, tanto que recebeu incremento nos recursos do Ministério da Saúde para continuar capacitando agentes de saúde em terapeutas comunitários. ‘‘Quanto mais feliz, menos doente a população fica’’, justifica a psicopedagoga Maria da Graça Pedrazzi Martini, supervisora do serviço de Terapia Comunitária de Londrina.


● A metodologia da Terapia Comunitária (TC) foi criada e sistematizada pelo psiquiatra e antropólogo Adalberto Barreto no ano de 1987 em Fortaleza, no Ceará


● Profissional com formação que integra a pedagogia e a psicologia, podendo atuar em diversas áreas da educação, do trabalho e da saúde

mockup