Londrina - O Comitê Gestor Intersetorial de Combate à Dengue em Londrina está na mira dos criadouros do mosquito Aedes aegypti. Ontem pela manhã, profissionais da saúde apresentaram um levantamento inédito sobre os imóveis mais críticos quanto à presença de criadouros, assim como terrenos baldios e fundos de vale. A reunião também serviu para atualizar os números da dengue.
De janeiro até anteontem o município registrou 1.286 casos positivos do total de 5.112 notificações. Outros 1.401 registros estão em andamento, ou seja, aguardando coleta ou resultados. Apesar de a estatística não parar de crescer (na última semana foram 54 novos casos), a positividade dos exames têm apresentado uma queda considerável.
"Isso se deve ao ciclo natural da doença, aliada ao clima e às ações que estamos desenvolvendo. Nas semanas mais críticas, estávamos com uma taxa de até 80% de positividade e agora caiu para 30%. As notificações também têm diminuído, mas temos que mantê-las durante o inverno para podermos detectar os casos positivos", comenta Sandra Caldeira, gerente de Vigilância Epidemiológica do município.
De acordo com um levantamento feito com supervisores de Endemias, há 26 imóveis considerados "acumuladores", ou seja, que possuem grandes quantidades de resíduos nos quintais. Entre os bairros, surgem Vila Fraternidade (zona leste), Vila Brasil e Centro Social Urbano (região central).
"Vejo um monte de lixo espalhado nas casas. Tem gente no bairro que não cuida mesmo. Eu já tive dengue, sofri demais e depois disso, não deixo acumular nada no quintal", conta a aposentada Laura Soares Nairne, moradora da Vila Fraternidade há 52 anos.
Além dos imóveis, o Comitê apresentou os 20 terrenos baldios mais problemáticos. Um dos endereços revelados é a Rua Rudolph Diesel, no Jardim Tókio (zona oeste), onde Sizenando Trindade mora há nove anos.
"Quando tem algo na vista que acumula água, a gente retira, mas não dá para entrar no meio desse mato. Além da dengue, os insetos e o mau cheiro nos incomoda muito", reclama Trindade, que mora ao lado de um dos inúmeros terrenos baldios da rua. A Rua Projetada, Avenida Angelina Vezozzo (Gleba Lindóia) e Rua Petronilha Manzutti (Aquiles Stenghel) também foram mapeadas.
Já os fundos de vale mais críticos estão por todas as regiões, em diversos bairros, como Parigot de Souza, Hilda Madarino, Coliseu, Mister Thomas, Ernani Moura Lima, Columbia, João Turquino, Califórnia, Cafezal, Jamile Dequech, Cafezal, União da Vitória e Vista Bela.
"Todo mundo joga lixo ali e eu fico muito preocupada porque tenho quatro crianças em casa. Eu faço minha parte, mas não adianta muito porque a dengue pode estar aqui do lado", diz a auxiliar de cozinha Adriana Domingos, moradora do Vista Bela, ao lado do fundo de vale que é ponto de descarte irregular de lixo.

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