Da Sucursal

Gilson AbreuPrecauçãoO secretário em exercício, Luciano Ducci: ‘‘outros lotes não analisados podem ter algum elemento suspeito’’A secretaria estadual da Saúde vai manter suspensa a utilização do anestésico neocaína, fabricado até agosto de 1996 pelo laboratório Cristália, de Itapira (SP). Não está descartada a possibilidade de contaminação do produto, apesar de o Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS), do Rio de Janeiro, ter constatado que a neocaína das amostras analisadas é satisfatória.
‘‘Outros lotes não analisados podem ter algum elemento suspeito’’, afirmou o secretário em exercício, Luciano Ducci. Os lotes do anestésico neocaína produzidos até agosto de 1996 foram recolhidos do mercado em outubro do ano passado. O produto está sob suspeita de ter provocado no ano passado um surto de meningite química e a morte de quatro pessoas no Paraná.
Outros casos de meningite química foram notificados em São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Piauí. Ducci explica que apenas os lotes de São Paulo foram encaminhados ao INCQS, órgão da Fundação Oswaldo Cruz.
No próximo dia 20, amostras dos lotes que estavam no Paraná devem seguir para análise no INCQS. Ducci calcula que o resultado fique pronto em um mês.
Hoje, representantes do labortório Cristália, fabricante do produto, estarão em Curitiba para uma audiência com o Ministério Público (MP), responsável pela investigação das mortes e do surto de meningite provocado pelo anestésico. O procurador Marco Antonio Teixeira diz que o MP formulou termo de ajustamento para a manutenção do produto fora do mecado. ‘‘É uma cautela’’.
O presidente do laboratório Cristália, Ogari Pacheco, garante que todos os lotes do anestésico foram retirados do mercado. As cerca de 108 mil ampolas de neocaína produzidas até agosto de 1996 estão armazenadas na empresa. ‘‘Vamos manter o produto para que possa ser examinado’’.
Pacheco diz que a empresa não pretende entrar com liminar para prosseguir a comercialização do produto, já que a análise do INCQS considerou a neocaína satisfatória. ‘‘A preocupação é com a concorrência que utiliza o fato como arma comercial’’, destacou.
Segundo a Sociedde Brasileira de Anestesiologia, foram notificados 43 casos de meningite química em cinco Estados. A doença se manifestou em pacientes submetidos à anestesia raquiana. Nas 43 pessoas, os sintomas surgiram em média quatro horas depois da aplicação do anestésico, diz o presidente da sociedade Ozair de Souza Lima.

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