Jurema Carlin: ‘‘Necessidade de parceria para continuar oferecendo coquetel, que custa R$ 1 mil/mês por paciente’’

A unidade de Saúde da Rua Barão do Rio Branco já tem disponível todos os componentes do coquetel anti-aids para distribuição aos pacientes cadastrados no Sistema Único de Saúde (SUS). A Secretaria de Estado da Saúde recebeu sexta-feira dois dos três medicamentos que faltavam para completar o coquetel.
A previsão da coordenadora do Programa de DST/Aids, Jurema Carlin, é que 979 pacientes comecem o tratamento tomando os medicamentos AZT mais DDI ou DDC ou o 3TC aliado a um dos três inibidores de protease. O interior do Estado deve receber ainda esta semana o coquetel.
Para receber o coquetel gratuitamente é necessário, além de ser cadastrado no SUS, estar com a contagem de linfócitos (células de defesa) em menos de 200 por milímetro cúbico e ter uma indicação clínica para o tratamento.
Segundo Jurema, os cientistas recomendam que os pacientes tomem o coquetel durante pelo menos três anos, sem interrupção. ‘‘O Ministério da Saúde terá que contar com parcerias da iniciativa privada para conseguir manter a disponibilidade do coquetel, que custa R$ 1.000,00 por mês por paciente’’, adverte.


979 pacientes vão
começar tratamento
tomando mistura
de medicamentos


Apenas no Paraná há 1.200 pacientes com Aids. Desde 1984 até dezembro de 1996 foram notificados 3.103 casos, que multiplicados por 20 oferecem a estimativa do número de pessoas infectadas com o vírus HIV: 62.060. ‘‘Existe uma preocupação muito grande da Secretaria da Saúde, com relação ao relaxamento da prevenção. As pessoas entendem que o coquetel cura a Aids e não é assim’’, afirma Jurema.
Tentando detectar uma possível mudança de comportamento, a Secretaria, em parceria com o Grupo Dignidade, que congrega lésbicas, gays e travestis, vai realizar uma pesquisa na Ilha do Mel, durante o Carnaval. Serão distribuídos vales-preservativos para todos que entrarem na ilha. Os que forem buscar os preservativos serão considerados os que realmente se preocupam com a prevenção.
Uma das preocupações em relação à distribuição do coquetel é a possibilidade da interrupção do fornecimento e suas consequências sobre o estado de saúde dos pacientes. Segundo o diretor clínico do Hospital Osvaldo Cruz, Moacir Ramos, há a possibilidade de surgirem cepas do vírus HIV resistentes ao coquetel caso o paciente fique mais de 96 horas sem tomar os medicamentos. Ele esclarece que cepas resistentes podem surgir mesmo sem a interrupção da medicação.

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