Saúde investiga causa de intoxicação
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terça-feira, 28 de janeiro de 1997
Edmara Michetti 
Técnicos do departamento de epidemiologia da Vigilância Sanitária estão investigando as causas da intoxicação que atingiu funcionários do Carrefour na semana passada. Ontem eles estiveram no hipermercado e coletaram amostra de água para análise. O exame deve ficar pronto ainda esta semana.
O Hospital Londrina atendeu mais de 30 funcionários do hipermercado desde sexta-feira à noite. Destes, 26 foram internados. Até ontem à tarde, 12 continuavam no hospital. O quadro dos pacientes, de acordo com informações obtidas no hospital, era de gastroenterite aguda (diarréia aguda), vômitos, febre e desidratação de segundo grau.
A equipe de técnicos não encontrou alimentos na cozinha para realizar análises. A água foi enviada ontem mesmo ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP), que realizará os exames laboratoriais.
Na falta de amostras de alimentos, a médica sanitarista da Vigilância Sanitária, Marisa Galimberti, informa que a investigação será feita através de entrevistas com os funcionários do local. Como o hipermercado estava fechado devido a um acordo sindical que trocou o trabalho no domingo posterior ao Reveillon com o dia de ontem, os técnicos conversaram com apenas nove dos cerca de 50 funcionários do Carrefour. Apenas o pessoal dos setores administrativo e de contabilidade trabalhou ontem.
Ontem, 12 pessoas
ainda continuavam
internadas com
gastroenterite aguda
Marisa não tem informações do envio, pelo próprio Carrefour, de amostra de alimentos para análise em um laboratório em São Paulo. Segundo um funcionário, entrevistado pela Folha no sábado, o hipermercado teria mandado as amostras na quarta-feira por desconfiar da qualidade do produto.
A dificuldade inicial do trabalho, segundo a médica sanitarista, é o esquecimento dos funcionários, que não lembram o que comeram na quarta-feira, quando as primeiras pessoas apresentaram os sintomas. Hoje, a equipe deve retornar ao Carrefour para colher maiores informações sobre o cardápio com a nutricionista. Precisamos saber as condições da preparação, conservação e exposição dos alimentos para conhecer as causas do problema, diz Marisa. As condições da cozinha, segundo Marisa, têm um padrão bom. Mas ela ressalta que só viu a cozinha de fora.
A chefe da divisão de ação sobre o meio, da Vigilância Sanitária, a médica veterinária Luciana Bolonhezi, afirma que os indícios até o momento são de que houve infecção por bactéria, devido ao grande período de incubação. Não foi uma simples intoxicação.


