A secretaria de Saúde de Astorga e a 15ª Regional de Saúde de Maringá estão fazendo um rastreamento para identificar os estabelecimentos comerciais que compraram carne de boi infectada pela raiva. A doença foi identificada no município de Astorga (80 quilômetros a oeste de Londrina). Um boi com os sintomas da raiva foi abatido clandestinamente no distrito de Tupinambá e a carne foi vendida no final do mês passado.
Até dia 25 de março, seis animais de duas propriedades rurais em Astorga morreram apresentando os sintomas da doença. Dois casos foram confirmados por exames laboratoriais. A Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab) já vacinou todo o rebanho num raio de oito quilômetros das duas propriedades para evitar um surto da doença.
Ao mesmo tempo, a Secretaria de Saúde de Astorga está vacinando dez pessoas que fizeram o abate clandestino do primeiro boi que apresentou os sintomas da raiva. A vacinação está sendo coordenada pela 15ª Regional de Saúde de Maringá.
De acordo com o veterinário do setor de Vigilância Sanitária da 15ª Regional, Valdemi Lima, até o momento nenhum local foi identificado pelos agentes sanitários. ‘‘As pessoas não colaboram com a Vigilância e há muitas informações desencontradas’’, disse à Folha.
Segundo ele, a carne do boi abatido clandestinamente é imprópria para o consumo. Ele acredita, entretanto, que a carne já foi consumida, pois o boi foi abatido entre os dias 20 e 25 de março.
Lima informou que as pessoas que trabalharam no abate do boi infectado estão recebendo doses da vacina anti-rábica. No total, os envolvidos no abate devem receber dez doses para atingir a imunidade. O maior risco de contaminação está em eventuais ferimentos nas pessoas que manusearam o animal.
Não há surtoDe acordo com o chefe da seção de raiva da Seab, em Curitiba, Silmar Burir, a morte dos seis animais infectados pela raiva em Astorga não caracteriza um surto. Ele disse ontem que os animais foram infectados por um ou no máximo dois morcegos hematófagos, que estavam alojados em troncos de árvores.
‘‘O morcego se contamina pelo vírus da raiva e, no prazo de alguns dias, morre. Por isso acreditamos que ele tenha mordido os animais que foram infectados pela doença antes de apresentar os sintomas da raiva’’, explicou.
Segundo Burir, a região de Astorga não é propícia para o desenvolvimento de uma colônia de morcegos hematófagos. ‘‘Na região não há cavernas e nem grutas, que são os habitats dos morcegos.’’

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