César AugustoFechamento
Funcionários da Vigilância Sanitária de Londrina cumprem determinação da Promotoria da Vara da Infância, Juventude, Idosos e Portadores de Deficiência e lacram abrigo onde viviam idososEquipe da Vigilância Sanitária de Londrina lacrou ontem à tarde os 22 quartos, a cozinha e os dois banheiros do pensionato de idosos localizado na Avenida Duque de Caxias, 4.569, centro de Londrina. A interdição definitiva do estabelecimento foi determinada ontem pela promotora da Vara da Infância, Juventude, Idosos e Portadores de Deficiência, Édina Maria Silva de Paula. Acompanhada de policiais, a promotora vistoriou a pensão na quarta-feira e comprovou irregularidades. Além da interdição, ela determinou abertura de inquérito policial para apurar se estavam sendo cometidos crimes de maus-tratos, exposição da vida e saúde e apropriação indébita das aposentadorias dos idosos.
O requerimento de interdição do pensionato foi encaminhado à Vigilância Sanitária ontem à tarde. Citando o artigo 698 do Código Sanitário do Paraná, a promotora solicitou que a suspensão das atividades do estabelecimento seja feita de imediato, ‘‘com a urgência que o caso requer’’. Para reabrir o estabelecimento, a proprietária, Maria Aparecida Taconi, precisa adequar as instalações e obter alvará de funcionamento junto à Prefeitura.
Antes disso, entretanto, Maria Aparecida vai ser investigada no inquérito policial presidido pelo delegado do 1º Distrito, Edmo Ermenegildo. Se houver indícios de crime, a proprietária do abrigo de idosos poderá ser processada criminalmente. Maria Aparecida pode, ainda, responder civilmente. A promotora Edina de Paula vai concluir o procedimento administrativo e pode propor ação de indenização.
Ontem pela manhã, o Conselho Municipal de Assistência Social esteve no pensionato para convencer os novos idosos que permaneciam lá a deixarem o local. Quatro deles concordaram em ir para o Centro de Vivência e outros quatro disseram que iriam para casa de parentes ou para hotéis. Um estava trabalhando e não foi encontrado pela manhã.
O trabalho de convencimento dos idosos foi feito a pedido da promotora Edina de Paula. A abordagem foi feita por Neusa Harume Tiba, do Conselho Municipal de Assistência Social, com apoio do delegado Jorge Barbosa, investigadores policiais e comissários de menores. Manoelino dos Santos, 68 anos, Benedito Procópio Teixeira, 58, Estevão Odósi e Elias Tomazi de Almeida, 68 anos, foram convencidos rapidamente a ir para o Centro de Vivência Ebeneze. Localizado na Rua João Correia dos Santos, 400, Jardim Franciscato (zona sul) e mantido pela Igreja Luz do Mundo, o centro já abriga outros quatro idosos doentes que foram retirados na quarta-feira do mesmo pensionato.
Benedito Teixeira arrumou suas malas rapidamente e deixou o quarto. Segundo ele, a dona do pensionato, Maria Aparecida Taconi, é muito ‘‘esperta’’. ‘‘Comigo ela nunca fez nada. Mas se a pessoa facilita, ela ó (fazendo gesto com as mãos de que ela pega dinheiro dos outros).’’
Já o aposentado José Nogueira da Silva, 76 anos, se recusou a deixar o abrigo. Informado que o pensionato seria fechado, ele arrumou as malas e disse que iria para a casa de um irmão. Artur Fastino da Silva, 64 anos, e José Ananias de Melo, 62 anos, decidiram ir para um hotel. José Saburo, 68 anos, não estava no pensionato ontem de manhã. Outro pensionista, Gerônimo Mello Siqueira, 74 anos, chegou quando todos já estava saindo. Ele ainda iria decidir para onde se mudaria. (Colaborou Áureo Nogueira)

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