Saúde interdita lote de medicamentos
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quarta-feira, 28 de abril de 2004
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
A Secretaria Municipal de Saúde interditou, há uma semana, cerca de 500 mil comprimidos de Carbamazepina, medicamento utilizado para o controle de convulsões e epilepsia, por problemas em um dos lotes. A secretaria tem cerca de mil pacientes cadastrados que fazem uso contínuo do Carbamazepina.
''Trabalhamos com licitações para a formação de estoque para seis meses. Quando abrimos um dos lotes, constatamos que as datas de validade das cartelas estavam borradas e que algumas delas estavam abertas. Por isso interditamos o uso dos comprimidos'', relatou o diretor de Serviços Especiais de Saúde da secretaria municipal, Sérgio Canavese.
Canavese disse não ter autorização para revelar o nome da empresa fornecedora do remédio, mas contou que tentou a negociação para a troca do lote, sem sucesso. Segundo ele, a secretaria entrou com uma ação administrativa contra a empresa para recuperar a verba. ''Enquanto isso, estamos pedindo junto ao departamento jurídico da prefeitura a autorização para a dispensa de licitação para uma compra emergencial, já que a Carbamazepina é um medicamento essencial'', relatou.
Canavese também explicou que a secretaria municipal de Saúde já conseguiu junto ao Centro de Medicamentos do Paraná (Cemepar) um adiantamento da parcela de remédios normalmente fornecidos pelo Estado à prefeitura. Até o final da tarde de ontem, a farmácia municipal do Centro de Saúde deveria receber entre 15 mil e 20 mil comprimidos. ''Essa quantidade deve ser suficiente para atender a população até a autorização para a compra'', antecipou o diretor.
Um dos usuários prejudicados com a falta do medicamento é o desempregado Fernando dos Santos, 35 anos, de Londrina. Ele precisa de quatro comprimidos da Carbamazepina por dia e disse que, desde o início de abril, depende de um primo, que é médico no Rio Grande do Sul, para ter acesso ao remédio.
Santos faz uso do medicamento há 12 anos. Segundo a funcionária pública Rosa Aparecida dos Santos, mãe de Fernando, as crises convulsivas do filho chegam a durar até 12 horas e motivaram a última demissão, quando Santos trabalhava como caixa de um bar na Zona Sul.
''Já procuramos a Ouvidoria da Autarquia Municipal de Saúde para saber por que o remédio está em falta. O problema é que temos de esperar a boa vontade da secretaria para ter acesso ao remédio. Meu filho não pode esperar'', reclamou Rosa. ''Disseram que apenas na sexta-feira o medicamento vai estar disponível'', contou Santos.
Na manhã de ontem, quando recebeu a reportagem da Folha, Santos mostrou a última cartela com quatro comprimidos, enviada pelo primo gaúcho e que acabaria no mesmo dia.


